As 70 Semanas de Daniel: Os Argumentos de Derek Walker e a Cronologia Profética
Introdução
Este estudo dá continuidade à análise da proposta cronológica de Derek Walker acerca das Setenta Semanas de Daniel. A obra Profecias do Fim dos Tempos – Volume 1 apresenta uma interpretação alternativa dentro do dispensacionalismo, mantendo elementos do pré-tribulacionismo e do pré-milenismo.
O principal ponto de divergência em relação à interpretação tradicional está na data inicial das Setenta Semanas. Enquanto a maioria dos intérpretes adota 444 ou 445 a.C., Walker defende 458 a.C. como ponto de partida.
I – A Cronologia do Messias na Interpretação de Walker
Segundo Derek Walker, as Setenta Semanas encontram seu cumprimento completo entre o ministério de João Batista e o ministério de Jesus Cristo.
“Temos boas evidências de que o ministério de João Batista iniciou-se em 26 d.C. e que a cruz ocorreu em 33 d.C. Isso significa que os sete anos profetizados por Daniel como o tempo do ‘Messias, o Príncipe’ (26–33 d.C.) cumpriram-se nos ministérios de João e Jesus.”
Assim, a última semana seria compreendida entre 26 d.C. e 33 d.C., sem intervalo entre a 69ª e a 70ª semana.
Essa interpretação difere da visão dispensacionalista clássica, que entende a septuagésima semana como um evento futuro.
II – João Batista e o Início do Tempo Messiânico
Walker atribui a João Batista o papel de marco cronológico da manifestação messiânica.
Baseando-se em Lucas 3.1–2, ele afirma que o décimo quinto ano de Tibério César corresponde a 26 d.C.
“Os registros do Novo Testamento deixam claro que o início oficial do tempo do Messias ocorreu quando Seu arauto, João Batista, começou a ministrar a Israel.”
Assim, João Batista inaugura o período profético anunciado por Daniel.
III – Os Sete Anos Finais da Profecia
Na proposta de Walker, a última semana é dividida entre dois ministérios:
- João Batista: 26–29 d.C.
- Jesus Cristo: 29–33 d.C.
Esse período corresponderia aos sete anos finais da profecia de Daniel.
“A profecia estranhamente se cala a respeito desses sete anos do Messias… com exceção da menção da morte substitutiva do Messias ao fim deles.”
Walker entende que a profecia foi cumprida integralmente no primeiro século.
IV – Reino e Salvação na Primeira Vinda
Para Walker, a primeira vinda de Cristo envolve dois propósitos principais: Salvação e Reino.
Jesus é apresentado como Salvador e Rei prometido a Israel.
A rejeição de Israel teria impedido a manifestação plena do Reino naquele momento.
“Ao fim da Septuagésima Semana (33 d.C.), Jesus Cristo deveria morrer por nossos pecados e estabelecer o Reino… porém algo aconteceu para atrasar esse propósito.”
A morte de Cristo marca o cumprimento da redenção, mas não a inauguração do Reino.
V – A Destruição de Jerusalém
Walker interpreta a destruição de Jerusalém em 70 d.C. como juízo sobre a rejeição do Messias.
“O povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário…”
Esse evento confirma, segundo o autor, o julgamento histórico sobre Israel.
Conclusão
A proposta de Derek Walker apresenta uma interpretação alternativa dentro do dispensacionalismo.
- Início das semanas em 458 a.C.
- Cumprimento completo em 33 d.C.
- Ausência de intervalo entre as semanas
Sua proposta busca harmonizar a cronologia de Daniel com os ministérios de João Batista e Jesus Cristo.
Nos próximos estudos, serão analisadas outras interpretações sobre o intervalo profético e a Grande Tribulação.
Fonte: Derek Walker – Profecias do Fim dos Tempos – Volume 1. Rhema Brasil Publicações.