O INÍCIO DA GRANDE TRIBULAÇÃO

O INÍCIO DA SEPTUAGÉSIMA SEMANA DE DANIEL

INTRODUÇÃO

No artigo anterior, “Quando Começa a Grande Tribulação?”, analisamos a posição de Severino Pedro da Silva de que o evento responsável por iniciar esse período profético será a assinatura da aliança mencionada em Daniel 9.27.

Essa compreensão não pertence apenas a um único estudioso. Grandes nomes da escatologia dispensacionalista defendem essa interpretação, entre eles o Dr. John Dwight Pentecost, autor do Manual de Escatologia, uma das principais obras utilizadas nesta série de estudos.

Ao tratar da doutrina da Tribulação, Pentecost destaca que o início da Septuagésima Semana de Daniel está diretamente relacionado com a aliança estabelecida pelo futuro governante mundial, identificado como o “príncipe que há de vir”.

Neste artigo continuaremos desenvolvendo esse assunto, analisando a base bíblica de Daniel 9.27, a identidade dos personagens envolvidos e o plano profético estabelecido para os sete anos finais da profecia.

I — A BASE DE DANIEL 9.27 PARA O INÍCIO DA SEPTUAGÉSIMA SEMANA

Daniel 9.27 declara:

“E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares...”

Daniel 9.27

Segundo John Dwight Pentecost:

“Fica evidente, com base em Daniel 9.27, que a septuagésima semana começa com a aliança feita entre ‘muitos’ por uma semana, ou por sete anos.”

A expressão “uma semana” segue o mesmo princípio interpretativo das semanas anteriores. Assim como as primeiras 69 semanas representam 483 anos, a última semana corresponde a um período de sete anos.

Portanto, a Septuagésima Semana de Daniel terá início quando o “ele” mencionado no texto estabelecer uma aliança com muitos por sete anos.

Esse personagem não pode ser identificado como Cristo, pois o contexto apresenta uma figura que posteriormente romperá essa aliança, cessará os sacrifícios e promoverá a abominação da desolação.

Trata-se do mesmo personagem apresentado em outras profecias como:

  • O pequeno chifre de Daniel 7;
  • O rei feroz de Daniel 8;
  • O homem da iniquidade de 2 Tessalonicenses 2;
  • A besta de Apocalipse 13.

II — AS SETENTA SEMANAS E O CUMPRIMENTO PROFÉTICO

Antes de analisarmos a última semana, precisamos lembrar que Daniel recebeu uma profecia relacionada diretamente ao povo de Israel:

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade...”

Daniel 9.24

As 70 Semanas possuem um propósito definido:

  • Cessar a transgressão;
  • Dar fim aos pecados;
  • Expiar a iniquidade;
  • Trazer justiça eterna;
  • Selar a visão e a profecia;
  • Ungir o Santo dos Santos.

As primeiras três características encontram cumprimento na obra redentora de Cristo na cruz.

Porém, as três últimas apontam para acontecimentos futuros relacionados ao Reino Messiânico e à restauração de Israel.

Por essa razão, a interpretação dispensacionalista entende que a Septuagésima Semana ainda aguarda cumprimento futuro.

III — A CONTAGEM DAS 69 SEMANAS

Dentro da interpretação defendida por Pentecost, o decreto que inicia a contagem das semanas é o decreto de Artaxerxes em 445 a.C., relacionado à reconstrução de Jerusalém.

Pentecost utiliza os estudos de Sir Robert Anderson para demonstrar que as 69 semanas proféticas terminariam com a apresentação pública do Messias.

Segundo Anderson, os 483 anos proféticos conduziriam até a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando Ele se apresentou oficialmente como o Messias prometido.

Esse acontecimento possui grande importância profética, pois marca o momento em que Israel recebeu a apresentação do seu Rei.

Entretanto, ao invés de aceitar o Messias, a nação O rejeitou.

Como consequência, o Reino prometido não foi estabelecido naquele momento, e a profecia passou a aguardar seu cumprimento final.

IV — OS DOIS PRÍNCIPES DE DANIEL 9

A profecia de Daniel apresenta dois personagens distintos:

  1. O Ungido, o Messias;
  2. O príncipe que há de vir.

O Messias é Jesus Cristo, que veio cumprir as promessas relacionadas à redenção.

Já o príncipe que há de vir é apresentado como aquele cujo povo destruiria Jerusalém:

“E o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário...”

Daniel 9.26

Historicamente, Jerusalém foi destruída pelo Império Romano no ano 70 d.C.

Por isso, a interpretação dispensacionalista entende que esse futuro príncipe surgirá relacionado ao antigo Império Romano e estabelecerá a aliança que dará início à Septuagésima Semana.

V — O PLANO DA SEPTUAGÉSIMA SEMANA

John Dwight Pentecost, citando McClain, apresenta seis características principais da última semana de Daniel:

  1. A Septuagésima Semana será um período de sete anos entre o Arrebatamento da Igreja e a Segunda Vinda de Cristo em glória.
  2. Esse período corresponde aos acontecimentos descritos em Apocalipse capítulos 6 a 19.
  3. Seu início ocorrerá através de uma aliança entre o futuro governante romano e Israel.
  4. Na metade da semana, essa aliança será quebrada.
  5. A quebra da aliança dará início ao período de intensa perseguição e desolação.
  6. O término dos sete anos conduzirá ao cumprimento das promessas feitas a Israel e ao estabelecimento do Reino Messiânico.

CONCLUSÃO

A profecia de Daniel 9.27 apresenta claramente o evento que marcará o início da Septuagésima Semana:

A assinatura da aliança entre o anticristo e muitos por sete anos.

Esse acordo dará início ao período conhecido como Grande Tribulação, preparando o cenário para os acontecimentos descritos no livro de Apocalipse.

A Igreja será retirada antes desse período, segundo a interpretação pré-tribulacionista, enquanto Deus voltará a tratar diretamente com Israel durante a última semana profética.

No próximo artigo analisaremos um dos elementos centrais dessa aliança: a construção do Terceiro Templo e sua relação com a profecia de Daniel 9.27.

Fonte:
Manual de Escatologia
Autor: John Dwight Pentecost
Editora: Vida

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