O Poder Gentílico Mundial nos Últimos Dias: A Formação do Governo do Anticristo
Introdução
Ao estudarmos o plano profético de Deus para as nações gentílicas, percebemos que as Escrituras apresentam uma sequência progressiva dos governos humanos até a manifestação do último sistema político mundial antes da Segunda Vinda de Cristo.
No artigo anterior analisamos o conceito dos Tempos dos Gentios e observamos como Deus permitiu que diferentes impérios exercessem domínio sobre Jerusalém e sobre as nações.
Agora avançaremos para uma etapa mais específica da profecia: a forma final do poder gentílico mundial nos últimos dias.
Muitos temas importantes da Escatologia Bíblica, como o surgimento do Anticristo, o sistema da besta, a marca da besta e os acontecimentos da Grande Tribulação, estão diretamente relacionados com esse governo final.
Antes de estudarmos esses acontecimentos, é necessário compreender a estrutura política e profética na qual o Anticristo surgirá.
Este estudo continuará utilizando como principal referência o Manual de Escatologia, do Dr. J. Dwight Pentecost, juntamente com outros estudiosos das profecias bíblicas.
I – O Poder Gentílico Mundial Revelado em Daniel 2
A primeira grande revelação sobre a sucessão dos poderes mundiais encontra-se no capítulo 2 do livro de Daniel.
O rei Nabucodonosor recebeu uma visão de uma grande estátua composta por diferentes metais. Essa estátua representava uma sequência de impérios gentílicos que dominariam o cenário mundial.
Entretanto, a profecia não termina com Roma. Ela aponta para uma fase final do poder gentílico que será destruída pelo Reino de Deus.
"Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído."
Daniel 2.44
Segundo Pentecost, existem características importantes sobre a forma final desse poder:
- A forma final do poder gentílico surge do quarto império, representado por Roma;
- Esse último estágio será marcado pela divisão, representada pelos dez dedos da estátua;
- Haverá uma união entre elementos fortes e frágeis, representados pelo ferro e pelo barro.
Essa descrição aponta para uma confederação de reinos que possuirá uma aparência de unidade, porém continuará preservando características próprias.
II – O Império Romano e Sua Forma Final
Dentro da interpretação futurista, o Império Romano possui um papel fundamental nas profecias dos últimos dias.
O quarto reino apresentado em Daniel 2 não desaparece completamente do cenário profético. Ele continua como uma influência histórica e terá uma manifestação final antes do retorno de Cristo.
"Esse reino é então dividido em partes, que, conforme veremos por outras passagens das Escrituras, sobretudo o capítulo 7, terão relação com a sua forma final."
A profecia não indica que os dez reinos surgiram na queda de Roma no ano 476 d.C., mas aponta para uma realidade futura.
Essa confederação será estabelecida no período final da história humana e servirá como base para o governo do Anticristo.
III – A Visão de Daniel 7: Os Dez Chifres e o Pequeno Chifre
Daniel 7 apresenta a mesma realidade profética, porém utilizando símbolos diferentes.
Enquanto Daniel 2 apresenta os impérios como uma grande estátua, Daniel 7 apresenta esses mesmos poderes como animais.
1. O Leão com Asas
Representa o Império Babilônico.
2. O Urso
Representa o Império Medo-Persa.
3. O Leopardo
Representa o Império Grego.
4. O Quarto Animal Terrível
Representa o Império Romano.
"Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte."
Daniel 7.7
Esse quarto animal possui dez chifres.
Esses dez chifres representam dez reis que exercerão autoridade no período final.
"E depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros."
Daniel 7.24
Esse pequeno chifre representa o governante final, identificado na profecia como o Anticristo.
IV – O Poder Mundial da Besta em Apocalipse 13
O livro de Apocalipse amplia a revelação apresentada por Daniel.
"A besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão."
Apocalipse 13.2
Essa descrição demonstra que o governo final reunirá características de todos os impérios anteriores.
- Autoridade mundial;
- Domínio político;
- Perseguição aos santos;
- Oposição a Cristo;
- Influência satânica.
"E adoraram o dragão porque deu à besta o seu poder."
Apocalipse 13.4
V – O Poder Gentílico Mundial em Apocalipse 17
Apocalipse 17 apresenta detalhes adicionais sobre esse último sistema.
João descreve uma besta com sete cabeças e dez chifres.
"Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis por uma hora juntamente com a besta."
Apocalipse 17.12
Esses dez reis entregarão sua autoridade ao líder mundial.
- Uma federação de dez reinos;
- Um líder central chamado besta;
- Uma união política mundial;
- Uma oposição final contra Cristo.
VI – A Batalha Final Contra Cristo
Apesar do poder desse governo parecer invencível, seu destino já está determinado.
"Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá."
Apocalipse 17.14
O governo humano alcançará o auge da rebelião, mas será destruído pela Segunda Vinda de Jesus Cristo.
Conclusão
O estudo do poder gentílico mundial nos últimos dias é fundamental para compreendermos o cenário profético da Grande Tribulação.
O Anticristo não surgirá de maneira isolada, mas dentro de uma estrutura política mundial preparada para recebê-lo.
As profecias de Daniel e Apocalipse revelam que o último governo gentílico será uma continuação do sistema representado pelo Império Romano, formado por uma confederação de dez reinos sob a liderança da besta.
Porém, esse sistema terá um fim determinado pelo próprio Deus.
A pedra cortada sem auxílio de mãos destruirá todos os governos humanos e estabelecerá o Reino eterno de Cristo.
Fontes
- PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. Editora Vida.
- RYRIE, Charles Caldwell. Bíblia Anotada. Editora Mundo Cristão.
- SILVA, Severino Pedro da. Escatologia – A Doutrina das Últimas Coisas. Editora CPAD.