ISRAEL NA TRIBULAÇÃO - PARTE III

SERMÃO DO MONTE DAS OLIVEIRAS – FINAL

INTRODUÇÃO

Chegamos ao último artigo da nossa série sobre o Sermão Profético do Monte das Oliveiras, registrado em Mateus 24–25, Marcos 13 e Lucas 21.

Nos artigos anteriores, acompanhamos a sequência apresentada pelo próprio Senhor Jesus ao responder às perguntas dos discípulos. O discurso percorre acontecimentos que envolvem a presente era, a destruição de Jerusalém, os acontecimentos relacionados à Grande Tribulação e, finalmente, a manifestação gloriosa de Cristo em Sua Segunda Vinda.

Como temos destacado ao longo desta série, nosso estudo considera especialmente a relação dessas profecias com Israel e o programa profético relacionado à Septuagésima Semana de Daniel.

Também é necessário manter a distinção entre o Arrebatamento da Igreja e a Segunda Vinda de Cristo. O Arrebatamento não deve ser confundido com a manifestação visível de Cristo descrita no Sermão. Enquanto o Arrebatamento está relacionado à Igreja e ao encontro dos santos com Cristo nos ares, o Sermão do Monte das Oliveiras concentra-se principalmente nos acontecimentos relacionados à consumação da era e à manifestação do Messias em poder e glória.

Por isso, neste último artigo não repetiremos detalhadamente os julgamentos de Israel e das nações, pois esses temas já foram desenvolvidos em artigos específicos dentro da nossa série sobre Os Julgamentos da Segunda Vinda.

Nosso objetivo agora é compreender como esses acontecimentos se encaixam na conclusão do Sermão e como Mateus 24–25 conduz o leitor até a manifestação do Rei e o estabelecimento do Seu Reino.

I – A CONCLUSÃO DO SERMÃO

O Sermão do Monte das Oliveiras possui uma sequência que não deve ser fragmentada.

Em Mateus 24, Jesus apresenta os acontecimentos que antecedem Sua manifestação. Ele fala sobre guerras, perseguições, falsos profetas, a Grande Tribulação, a abominação da desolação, os sinais cósmicos e, finalmente, a vinda do Filho do Homem.

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.”

Mateus 24.30

Essa declaração é fundamental para a compreensão do Sermão.

A Segunda Vinda não será um acontecimento secreto. Será uma manifestação pública, gloriosa e visível do Rei.

Cristo virá para cumprir aquilo que foi anunciado pelos profetas e para estabelecer Seu governo sobre a terra.

II – “ENTÃO” E A CONTINUIDADE DA PROFECIA

Ao iniciar Mateus 25, Jesus utiliza a expressão:

“Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens...”

Mateus 25.1

A palavra “então” estabelece uma relação com aquilo que foi apresentado anteriormente.

Não devemos, portanto, retirar Mateus 25 do contexto do discurso.

As parábolas das Dez Virgens e dos Talentos aparecem dentro dessa sequência e apresentam princípios relacionados à preparação, vigilância, responsabilidade e prestação de contas diante da vinda do Senhor.

Nos artigos anteriores desta série já analisamos essas parábolas com maior atenção. Aqui, basta observar que elas fazem parte da conclusão do discurso e conduzem o leitor para aquilo que será apresentado em Mateus 25.31:

“Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória.”

Mateus 25.31

O discurso chega, assim, ao momento da manifestação do Rei e dos acontecimentos que antecedem o estabelecimento do Reino.

III – A MANIFESTAÇÃO DO REI

O ponto culminante do Sermão é a manifestação de Cristo.

Jesus não apresenta apenas uma sequência de acontecimentos para satisfazer a curiosidade dos discípulos. Ele revela que a história caminha para um momento determinado por Deus: a manifestação do Filho do Homem.

O Messias que foi rejeitado será manifestado em poder.

Aquele que foi humilhado será visto em glória.

Aquele que foi apresentado como Rei será reconhecido como soberano.

Essa perspectiva está de acordo com a expectativa profética do Antigo Testamento.

Daniel viu o Filho do Homem recebendo domínio, glória e reino:

“Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem.”

Daniel 7.14

O Sermão do Monte das Oliveiras deve ser compreendido à luz dessa expectativa messiânica.

IV – A SEPARAÇÃO E O ESTABELECIMENTO DO REINO

A manifestação de Cristo também será acompanhada por atos de julgamento e separação.

Como já estudamos em artigos específicos, a Segunda Vinda será seguida por julgamentos relacionados aos grupos que estarão vivos naquele momento.

O julgamento de Israel tratará da separação dentro do Israel vivente, distinguindo aqueles que entrarão nas bênçãos do Reino daqueles que serão excluídos.

O julgamento das nações tratará dos gentios vivos que estarão presentes na terra por ocasião da manifestação do Rei.

Esses dois temas já foram estudados separadamente em nossa série:

Os Julgamentos da Segunda Vinda – Parte I: O Julgamento de Israel

e

Os Julgamentos da Segunda Vinda – Parte II: O Julgamento das Nações.

Dessa maneira, não precisamos repetir aqui todo o desenvolvimento desses assuntos. Basta reconhecer que eles fazem parte da sequência que conduz ao estabelecimento do Reino.

V – O SERMÃO E O REINO MESSIÂNICO

O Sermão do Monte das Oliveiras não termina simplesmente com a descrição de acontecimentos terríveis.

Ele aponta para a vitória de Cristo.

A Grande Tribulação não será o capítulo final.

O governo do Anticristo não será definitivo.

A perseguição contra o povo de Deus não terá a palavra final.

O capítulo final pertence ao Rei.

Jesus Cristo virá em poder e glória, derrotará Seus inimigos e estabelecerá Seu Reino.

Essa esperança está presente em toda a revelação profética.

“O Senhor será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o Senhor, e um só será o seu nome.”

Zacarias 14.9

Portanto, a perspectiva do Sermão é essencialmente escatológica e messiânica: a história caminha para a manifestação do Rei e para o cumprimento das promessas relacionadas ao Seu Reino.

VI – A IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA

Embora o Sermão contenha informações proféticas importantes, Jesus não apresentou essas palavras apenas para produzir conhecimento sobre o futuro.

Ele também apresentou uma advertência.

Depois de falar sobre Sua vinda, Jesus repetidamente chama Seus ouvintes à vigilância:

“Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.”

Mateus 24.42

E novamente:

“Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.”

Mateus 24.44

A profecia, portanto, possui uma finalidade espiritual.

O conhecimento de que Cristo voltará deve produzir vigilância, fidelidade e preparação.

A certeza da Sua vinda deve conduzir o homem a uma resposta diante de Deus.

VII – UMA PALAVRA SOBRE O ARREBATAMENTO E A SEGUNDA VINDA

Como vimos em nosso estudo sobre os debates escatológicos, Mateus 24 é interpretado de maneiras diferentes por estudiosos e tradições cristãs.

Alguns identificam determinados elementos do capítulo com o Arrebatamento; outros entendem que o discurso trata principalmente da manifestação de Cristo e do programa profético relacionado a Israel.

Por isso, é importante não ignorar o debate.

Entretanto, dentro da linha teológica adotada nesta série, fazemos uma distinção entre os dois acontecimentos.

O Arrebatamento da Igreja está relacionado ao encontro dos crentes com Cristo nos ares, conforme 1 Tessalonicenses 4.16-17.

A Segunda Vinda refere-se à manifestação de Cristo à terra em poder e grande glória, depois da Grande Tribulação, conforme Mateus 24.29-30.

Essa distinção é fundamental para a organização da cronologia escatológica que estamos estudando.

CONCLUSÃO

Chegamos ao final do nosso estudo sobre o Sermão Profético do Monte das Oliveiras.

Mateus 24–25 apresenta uma sequência profética que conduz o leitor através dos acontecimentos relacionados à Grande Tribulação, à manifestação do Filho do Homem e à consumação dos acontecimentos que precedem o estabelecimento do Reino.

O discurso também apresenta importantes advertências sobre vigilância, fidelidade e preparação.

As parábolas das Dez Virgens e dos Talentos fazem parte dessa conclusão, enquanto os julgamentos de Israel e das nações estão relacionados aos acontecimentos que antecedem a manifestação plena do Reino.

Esses julgamentos já foram estudados separadamente em nossa série e, por isso, não foram repetidos neste artigo.

O ponto culminante de todo o Sermão é a certeza de que Jesus Cristo voltará.

Ele virá em poder e glória.

Ele julgará com justiça.

Ele cumprirá as promessas de Deus.

E Ele estabelecerá o Seu Reino.

Assim, o Sermão do Monte das Oliveiras não é apenas uma exposição sobre acontecimentos futuros. É também uma declaração da soberania de Cristo sobre a história.

A história não terminará nas mãos dos homens.

O Anticristo não terá a palavra final.

A Grande Tribulação não será o fim.

O Rei voltará.

E, quando Ele vier, Sua autoridade será manifesta diante de toda a terra.

Com este artigo, encerramos o estudo específico do Sermão do Monte das Oliveiras e avançamos agora para outra seção das profecias relacionadas a Israel na Grande Tribulação.

No próximo artigo, estudaremos a identidade da mulher de Apocalipse 12, dando continuidade ao nosso estudo sobre Israel no programa profético.


FONTE: Manual de Escatologia
AUTOR: J. Dwight Pentecost
EDITORA: Vida