A RESSURREIÇÃO NA SEGUNDA VINDA - Parte 1

O PLANO DAS RESSURREIÇÕES NA SEGUNDA VINDA – PARTE I

A Ordem das Ressurreições em 1 Coríntios 15.22-24

INTRODUÇÃO

Em 1 Coríntios 15.22-24, o apóstolo Paulo apresenta um esquema dos acontecimentos dentro do plano das ressurreições. Essa divisão proposta por Paulo está relacionada à expressão:

“Cada um, porém, por sua própria ordem.”
(1 Coríntios 15.23)

A palavra traduzida por “ordem” vem do grego tagma, que significa uma ordem, classe ou grupo organizado. Conforme Robertson e Plummer, o termo pode ser entendido como uma metáfora de uma companhia ou grupo que segue uma sequência determinada.

As partes do plano das ressurreições são apresentadas como uma sequência organizada, onde cada grupo ocupa seu devido lugar dentro do propósito divino.

Entretanto, essa ideia não deve ser interpretada apenas pelo sentido militar da palavra, pois o contexto imediato apresenta a figura das “primícias”.

“É duvidoso se a força militar do mundo deve ser frisada a esse respeito, porque a metáfora com que a passagem começa é a de ‘primícias’, e isso exige uma colheita semelhante em natureza às primícias. Essa ideia deve ser vista mais certamente como reguladora do sentido que a força de tagma é a ideia de sequência.”

Harrison

Cristo é apresentado como as primícias da ressurreição. Sua ressurreição foi a primeira etapa do plano divino e garantiu o cumprimento das demais etapas estabelecidas por Deus.

I – CRISTO: AS PRIMÍCIAS DA RESSURREIÇÃO

Paulo inicia sua apresentação do plano das ressurreições afirmando:

“Mas cada um por sua própria ordem: Cristo, as primícias.”
(1 Coríntios 15.23)

Cristo é a primeira ordem (tagma) dentro desse plano. A expressão “primícias” transmite a ideia de uma primeira parte da colheita que garante a existência de uma colheita futura semelhante.

A ressurreição de Cristo não foi um acontecimento isolado, mas o início de um plano maior que envolve todos aqueles que pertencem a Ele.

II – OS QUE SÃO DE CRISTO NA SUA VINDA

Depois de apresentar Cristo como as primícias, Paulo acrescenta:

“Depois, os que são de Cristo, na sua vinda.”
(1 Coríntios 15.23)

A palavra “depois” traduz o termo grego epeita, indicando sequência, mas não necessariamente uma realização imediata.

“Ele não diz que um acontecimento segue o outro imediatamente, nem diz quão cedo ele se seguirá.”

Edwards

Existe, portanto, um intervalo de tempo entre a ressurreição de Cristo e a ressurreição daqueles que pertencem a Ele.

Uma questão importante é compreender quem está incluído na expressão: “os que são de Cristo”.

Alguns intérpretes entendem que Paulo estaria se referindo exclusivamente aos santos da Igreja, relacionando essa passagem ao arrebatamento descrito em 1 Tessalonicenses 4.16-17.

Porém, essa interpretação apresenta uma dificuldade: Paulo está tratando de um plano geral das ressurreições e parece estranho excluir os santos do Antigo Testamento e os santos do período da Grande Tribulação.

A interpretação mais ampla entende que “os que são de Cristo” se refere a todos os redimidos, incluindo:

  • Os santos do Antigo Testamento;
  • Os santos da Igreja;
  • Os santos do período da Grande Tribulação.

Nesse sentido, a expressão “na sua vinda” possui uma referência mais ampla à Segunda Vinda de Cristo e ao cumprimento do Seu plano profético, não sendo limitada exclusivamente ao arrebatamento.

III – ENTÃO VIRÁ O FIM

Paulo continua sua explicação:

“E então virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.”
(1 Coríntios 15.24)

Existe um debate entre os intérpretes sobre o significado da expressão “o fim”.

Alguns entendem que Paulo estaria incluindo uma terceira etapa no plano das ressurreições, relacionada à ressurreição dos incrédulos após o Reino Milenar.

Outros entendem que Paulo está tratando do encerramento de uma era, depois da conclusão do Reino de Cristo.

A interpretação deve considerar o contexto. Paulo está tratando principalmente dos que estão relacionados a Cristo:

“Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.”
(1 Coríntios 15.22)

O termo “em Cristo” não pode ser aplicado aos incrédulos, pois no ensino paulino essa expressão descreve aqueles que possuem relacionamento espiritual com Cristo.

“Não há ideia de universalismo da raça humana na comparação da segunda afirmação com a primeira. Apenas os que possuem relação espiritual com Cristo estão incluídos no ‘todos’ da segunda afirmação.”

Vine

IV – A SEQUÊNCIA FINAL DO PLANO DAS RESSURREIÇÕES

A partir de 1 Coríntios 15.22-24 podemos observar uma sequência dentro do plano das ressurreições:

  1. Cristo: as primícias da ressurreição;
  2. Os que são de Cristo: na Sua vinda;
  3. O fim: a conclusão do plano divino.

Essa ordem está em harmonia com Apocalipse 20, onde encontramos a distinção entre a primeira ressurreição e os restantes dos mortos:

“Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos.”
(Apocalipse 20.5)

A palavra “então” utilizada por Paulo não indica necessariamente imediatismo, mas sequência após um intervalo.

“O intervalo subentendido aqui no versículo 24 é aquele durante o qual o Senhor reinará no Seu reino milenar de justiça e paz.”

Vine

CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo apresenta o plano das ressurreições como uma sequência organizada pelo próprio Deus.

Cristo é as primícias, depois vêm aqueles que pertencem a Ele na Sua Vinda, e finalmente ocorre a consumação do plano divino.

A doutrina bíblica da ressurreição demonstra que Deus não age de maneira desordenada, mas cumpre cada etapa segundo o Seu propósito estabelecido.

Na próxima parte continuaremos analisando:

O Plano das Ressurreições na Segunda Vinda – Parte III

Estudaremos a relação entre a Primeira Ressurreição, os santos ressuscitados e o Reino Milenar.

FONTE PRINCIPAL

PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. Editora Vida.

FONTES DE APOIO

WALVOORD, John F. The Millennial Kingdom.

CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática.

RYRIE, Charles C. Teologia Básica.

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