A DOUTRINA DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO NA HISTÓRIA CRISTÃ- PARTE V

A HISTÓRIA DO SEGUNDO ADVENTO – PARTE V

INTRODUÇÃO

Com a ascensão da interpretação agostiniana e o abandono progressivo do método literal de interpretação bíblica, o pré-milenarismo foi gradualmente deixado de lado pela maioria dos grandes mestres a partir de Agostinho. A Igreja passou a ser identificada como o Reino de Deus na terra, e a ideia de que o Milênio já estaria em curso, somada à interpretação de que as promessas feitas a Israel foram transferidas à Igreja ou espiritualizadas, contribuiu para uma mudança significativa na escatologia cristã.

Neste artigo, trataremos do desenvolvimento da doutrina do Milênio a partir da Reforma Protestante.


I – O MILENARISMO DESDE A REFORMA

Os reformadores concentraram seus esforços principalmente nas questões soteriológicas, dedicando menor atenção às questões escatológicas. Em sua maioria, mantiveram-se próximos da tradição agostiniana, uma vez que a escatologia não era o foco central do período.

No entanto, a Reforma lançou bases importantes que, posteriormente, contribuíram para o ressurgimento do pré-milenarismo.

“Cada um dos reformadores registrou sua crença na necessidade de se aguardar constantemente a segunda vinda de Cristo, uma vinda iminente, sem a expectativa de um reino milenar futuro antes dela...”

Assim, embora não fossem formalmente pré-milenaristas, muitos reformadores sustentaram ideias que, indiretamente, favoreciam o desenvolvimento posterior dessa visão.

O movimento da Reforma também representou, em certo sentido, um retorno ao método mais literal de interpretação das Escrituras.


II – O PÓS-MILENARISMO E SUA ASCENSÃO

No período pós-Reforma, surgiu e se consolidou a interpretação pós-milenarista, que em grande parte dominou o pensamento protestante em determinados contextos.

Antes disso, algumas raízes dessa ideia podem ser encontradas em Joaquim de Flora (século XII).

“Sua visão é de que o milênio representa o reinado do Espírito Santo. Ele propôs três eras: do Pai, do Filho e do Espírito Santo...”

Nos séculos XVI a XVIII, especialmente na Holanda, diversos teólogos defenderam uma expectativa futura do Milênio, incluindo Coccejus, Alting, Witsius e Brakel.

O sistema pós-milenarista como estrutura teológica é geralmente associado a Daniel Whitby (1638–1726).

Segundo Walvoord, suas ideias se tornaram influentes por se encaixarem no espírito intelectual do período, marcado por otimismo histórico e confiança no progresso humano.


CARACTERÍSTICAS DO PÓS-MILENARISMO

  • Interpretação figurada da profecia
  • Reino entendido como espiritual e invisível
  • Cristo reinando no céu, à direita do Pai
  • Crescimento progressivo do Reino pelo evangelho
  • Otimismo histórico em relação ao futuro
  • Múltiplas “vindas” como intervenções de Deus
  • Julgamento final único no fim da história

DECLÍNIO DO PÓS-MILENARISMO

Após o século XX, especialmente depois das grandes guerras mundiais, o pós-milenarismo perdeu força significativa.

Pentecost aponta alguns fatores para esse declínio:

  1. Fragilidade do método de interpretação espiritualizado
  2. Influência crescente do liberalismo teológico
  3. Incapacidade de explicar adequadamente os fatos históricos
  4. Ascensão da neo-ortodoxia
  5. Retorno ao amilenarismo na teologia reformada

CONCLUSÃO

O pós-milenarismo, embora influente por um período, perdeu predominância ao longo do século XX. Sua presença atual é mais restrita a círculos específicos da teologia.

No próximo artigo, abordaremos a recente ascensão do amilenarismo e seus desdobramentos na escatologia contemporânea.


FONTES

  • Manual de Escatologia — J. Dwight Pentecost
  • Walvoord — estudos em escatologia
  • Philip Schaff — History of the Christian Church
  • Louis Berkhof — Teologia Sistemática
  • Kromminga — estudos históricos do milenarismo

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