A DOUTRINA DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO NA HISTÓRIA CRISTÃ- PARTE VI

A HISTÓRIA DO SEGUNDO ADVENTO - PARTE VI

INTRODUÇÃO

A Reforma Protestante concentrou-se principalmente nas questões soteriológicas, enquanto na escatologia a maioria dos reformadores seguiu, em grande parte, o amilenarismo de Agostinho. Para o retorno às doutrinas fundamentais das Escrituras, foi necessário um retorno ao método literal de interpretação, uma vez que o pré-milenarismo antigo se apoiava nesse princípio hermenêutico, enquanto o método alegórico contribuiu para o seu abandono.

Com a retomada do método literal por parte dos reformadores, abriu-se caminho para o ressurgimento do pré-milenarismo. No período pós-Reforma surgiu também o pós-milenarismo, que por algum tempo suplantou o amilenarismo agostiniano no meio protestante, enquanto o catolicismo romano manteve o sistema teológico de Agostinho. Contudo, esse modelo pós-milenarista perdeu força ao longo do tempo, especialmente após a Segunda Guerra Mundial.

Neste artigo, trataremos da recente ascensão do amilenarismo e do ressurgimento do pré-milenarismo.


I - O RENASCIMENTO DO AMILENARISMO E SUA ASCENSÃO

Nas últimas décadas, observa-se o crescimento da popularidade do amilenarismo, em parte como consequência do colapso do pós-milenarismo. Muitos teólogos que anteriormente defendiam posições pós-milenaristas passaram a adotar o amilenarismo.

1) Amilenarismo agostiniano tradicional

Representado por autores como Allis e Berkhof, mantém-se próximo do pensamento de Agostinho, com revisões. Essa linha entende que muitas promessas do Antigo Testamento cumprem-se espiritualmente na Igreja ou na realidade celestial.

2) Amilenarismo celestial (moderno)

Defendido por Duesterdieck e Kliefo e popularizado por Warfield, esse modelo rejeita o reino terreno. O Milênio é interpretado como o estado espiritual dos santos no céu.

“Um novo tipo de amilenarismo surgiu, do qual Warfield pode ser tomado como exemplo... o milênio é entendido não como um período histórico, mas como o estado de bem-aventurança dos santos no céu.”
— Walvoord

Motivos para a popularidade do amilenarismo

  • Abrange diferentes tradições teológicas (liberais, conservadoras e católicas).
  • É considerado o sistema escatológico mais antigo após o pré-milenarismo.
  • Foi adotado por reformadores e confissões históricas.
  • Harmoniza-se com o eclesiasticismo moderno.
  • Apresenta simplicidade escatológica.
  • Adapta-se à teologia pactual.
  • Favorece interpretação espiritual das Escrituras.

Perigos dessa abordagem

  • Uso do método espiritualizante enfraquece a interpretação bíblica.
  • Aplicação seletiva contra o pré-milenarismo.
  • Surge de necessidades do sistema, não da exegese.
  • Pode afetar outras áreas doutrinárias.
  • Facilita a entrada do liberalismo teológico.
  • Falta coerência hermenêutica uniforme.
  • Não nasce da leitura literal das Escrituras.

Impacto teológico do amilenarismo

Soteriologia

Integra a história da redenção em um único plano pactual centrado na aliança da graça.

Eclesiologia

Identifica todos os santos como parte da Igreja, reduzindo a distinção entre Israel e Igreja.

Escatologia

Apresenta divergências internas, desde interpretações simbólicas até modelos mais tradicionais.


II - O RESSURGIMENTO DO PRÉ-MILENARISMO

Embora os reformadores não tenham adotado plenamente o pré-milenarismo, o retorno ao método literal abriu caminho para sua reintrodução.

Diversos estudiosos contribuíram para essa retomada, entre eles Mede, Bengel, Newton, Tregelles, Darby e outros exegetas influentes.

Ao longo do tempo, o pré-milenarismo foi recuperado por intérpretes que valorizavam o sentido literal das Escrituras.

“A maioria dos intérpretes, tanto em número quanto em erudição, adota a visão pré-milenarista como a interpretação mais natural do texto sagrado.”
— Alford

CONCLUSÃO

Historicamente, a interpretação pré-milenarista foi predominante na Igreja primitiva, posteriormente substituída pela alegorização de Orígenes e pelo sistema agostiniano. Esse modelo influenciou profundamente a teologia medieval e parte da tradição reformada.

Com o retorno ao método literal, o pré-milenarismo ressurgiu, convivendo com o pós-milenarismo e o amilenarismo moderno. Hoje, ambos continuam presentes no debate escatológico cristão.

No próximo artigo, encerraremos esta série com a importância teológica da doutrina do Segundo Advento.


FONTE

Manual de Escatologia — J. Dwight Pentecost — Editora Vida


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