O JULGAMENTO DOS JUDEUS NA SEGUNDA VINDA

OS JULGAMENTOS DA SEGUNDA VINDA – PARTE I

O JULGAMENTO DE ISRAEL

INTRODUÇÃO

Ao prosseguirmos em nossa série escatológica, chegamos a uma nova seção relacionada aos acontecimentos da Segunda Vinda de Cristo. Depois de estudarmos o plano das Ressurreições, passaremos agora a analisar os julgamentos que ocorrerão em conexão com o retorno pessoal de Jesus Cristo à terra.

É importante lembrar que a Segunda Vinda não deve ser confundida com o Arrebatamento da Igreja. O Arrebatamento está relacionado ao encontro da Igreja com Cristo nos ares antes do período da Tribulação (1 Tessalonicenses 4.16-17), enquanto a Segunda Vinda refere-se ao retorno visível e glorioso de Cristo à terra, ao final da Grande Tribulação, para estabelecer Seu Reino Milenar.

Nesse retorno glorioso, alguns acontecimentos estarão relacionados ao cumprimento do plano divino, entre eles a conclusão da Primeira Ressurreição, com a participação dos santos do Antigo Testamento e dos mártires da Grande Tribulação, que ressuscitarão para reinar com Cristo.

Após esses acontecimentos, haverá uma série de julgamentos determinados por Deus, preparando a terra para o estabelecimento do Reino de Cristo.


I – OS JULGAMENTOS PREVISTOS NAS ESCRITURAS

A Palavra de Deus revela que haverá um julgamento futuro sobre toda a humanidade.

"Vem, pois, julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos com a sua fidelidade." (Salmos 96.13)

Paulo também afirma que Deus estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça por meio de Cristo (Atos 17.31).

Entretanto, as Escrituras não apresentam apenas um julgamento geral, mas diversos julgamentos com diferentes ocasiões, pessoas envolvidas, bases e resultados.

Os principais julgamentos apresentados nas Escrituras:

  1. O julgamento dos pecados do crente na cruz – realizado na obra substitutiva de Cristo (João 5.24; Romanos 5.9; 8.1; 2 Coríntios 5.21).
  2. O julgamento do crente pela disciplina divina – relacionado à correção de Deus sobre seus filhos (1 Coríntios 11.31-32; Hebreus 12.5-11).
  3. O autojulgamento do crente – responsabilidade do cristão examinar sua própria vida diante de Deus (1 João 1.9; 1 Coríntios 11.31).
  4. O Tribunal de Cristo – julgamento das obras dos crentes para recompensa (Romanos 14.10; 1 Coríntios 3.11-15; 2 Coríntios 5.10).
  5. O julgamento de Israel – purificação da nação para o Reino Messiânico (Ezequiel 20.37-38; Zacarias 13.8-9).
  6. O julgamento das nações – julgamento dos gentios vivos na Segunda Vinda (Mateus 25.31-46).
  7. O julgamento dos anjos caídos – juízo sobre as hostes espirituais que seguiram Satanás (Judas 6; 2 Pedro 2.4).
  8. O julgamento do Grande Trono Branco – julgamento final dos mortos incrédulos após o Milênio (Apocalipse 20.11-15).

Os quatro últimos julgamentos possuem relação direta com os acontecimentos escatológicos. O Tribunal de Cristo já foi tratado anteriormente em nossa série. Portanto, analisaremos agora os julgamentos relacionados ao retorno de Cristo.


II – O JULGAMENTO DE ISRAEL

Após a Segunda Vinda de Cristo e a destruição dos exércitos do Anticristo no Armagedom, haverá julgamentos que precederão a instalação do Reino Milenar.

O primeiro grupo a ser julgado será Israel.

Deus estabeleceu alianças com essa nação, prometendo um Reino onde o Messias, descendente de Davi, governaria sobre a terra. Porém, antes que esse Reino seja estabelecido, Israel deverá passar por um julgamento que determinará quais judeus entrarão no Reino.

"E nem todos os que são de Israel são israelitas." (Romanos 9.6)

Essa passagem demonstra que a descendência física de Abraão não garante automaticamente participação nas promessas do Reino.


III – O MOMENTO E O LOCAL DO JULGAMENTO

Esse julgamento ocorrerá depois da Segunda Vinda de Cristo, quando Israel será reunido pelo Senhor.

Jesus apresentou uma sequência dos acontecimentos escatológicos em Mateus 24 e 25:

  1. O período da Grande Tribulação (Mateus 24.4-26);
  2. A Segunda Vinda do Messias (Mateus 24.27-30);
  3. O ajuntamento de Israel (Mateus 24.31);
  4. O julgamento de Israel (Mateus 25.1-30);
  5. O julgamento das nações (Mateus 25.31-46);
  6. O estabelecimento do Reino Milenar.

Esse julgamento ocorrerá na terra, pois Israel possui promessas relacionadas ao Reino terrestre.

"Farei passar-vos debaixo do meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança." (Ezequiel 20.37)


IV – OS PARTICIPANTES DO JULGAMENTO

Esse julgamento diz respeito aos israelitas vivos que estarão presentes na Segunda Vinda.

Não se refere aos santos do Antigo Testamento que ressuscitarão nesse período, pois estes já foram redimidos pela obra de Cristo e ressuscitarão para participar do Reino.

O propósito desse julgamento será separar os judeus fiéis dos incrédulos dentro da nação.


V – O RESULTADO DO JULGAMENTO DE ISRAEL

1. Os incrédulos serão excluídos do Reino

Aqueles que rejeitaram o Messias e permanecerem em rebelião contra Deus não participarão das bênçãos do Reino.

"Não entrarão na terra de Israel." (Ezequiel 20.38)

2. Os fiéis entrarão no Reino Milenar

Os judeus que reconhecerem o Messias serão preservados e participarão das promessas feitas por Deus a Israel.

"E assim todo o Israel será salvo." (Romanos 11.26)


CONCLUSÃO

O julgamento de Israel será um dos primeiros acontecimentos após a Segunda Vinda de Cristo. Seu objetivo será preparar a nação para o Reino Milenar, separando aqueles que entrarão nas bênçãos messiânicas daqueles que serão excluídos.

A Segunda Vinda não apenas marcará o retorno glorioso do Rei, mas também iniciará uma sequência de julgamentos divinos que demonstrarão a justiça e a soberania de Deus sobre todas as coisas.

No próximo artigo continuaremos estudando: Os Julgamentos da Segunda Vinda – Parte II: O Julgamento das Nações.

Fonte:
Manual de Escatologia
Autor: J. Dwight Pentecost
Editora: Vida

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