O REINO DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO: EXPECTATIVA MESSIÂNICA E CUMPRIMENTO PROFÉTICO - PARTE I

O Reino de Deus no Novo Testamento: Expectativa Messiânica e Cumprimento Profético – Parte I

Introdução

Para o cristão autêntico, “toda a Escritura é divinamente inspirada” (2 Timóteo 3.16). Isso inclui de Gênesis a Apocalipse, sem qualquer trecho fora dessa inspiração. No entanto, o estudante e intérprete das Escrituras reconhece que há particularidades na revelação bíblica, com mensagens dirigidas a grupos distintos, sem perder sua unidade central.

Nesta série, temos destacado a importância da distinção entre Igreja e Israel, bem como a existência de três grupos na Bíblia: judeus, gentios e igreja (1 Coríntios 10.32). As profecias escatológicas estão distribuídas entre esses grupos dentro do plano divino.

Ao estudarmos o Milênio no Antigo Testamento, vimos o conceito de um Reino teocrático com um Rei descendente de Davi reinando em Jerusalém. Esse Reino era entendido de forma literal, física, política e também espiritual. No Novo Testamento, esse entendimento continua presente no contexto judaico do primeiro século.

A partir deste estudo, analisaremos como Cristo, seus apóstolos e a igreja primitiva compreenderam as profecias do Antigo Testamento relacionadas ao Reino.

“Foi admitido universalmente por escritores importantes (Neander, Schaff, Kurtz etc.) que os judeus criam na vinda pessoal do Messias, na restauração literal do trono davídico e no cumprimento das promessas milenares.”
(C. N. H. Peters, Theocratic Kingdom)

I – O Reino Teocrático foi oferecido no Primeiro Advento de Cristo

Por mais que haja divergências interpretativas, a posição literal entende que Jesus anunciou o Reino à luz das expectativas proféticas do Antigo Testamento. Esse Reino correspondia ao Reino teocrático esperado por Israel.

Diante da rejeição de Israel, o Reino não deixou de ser anunciado, mas a resposta nacional determinou um desenvolvimento progressivo do plano divino ao longo da história redentora.

A visão espiritualizante, por outro lado, entende que Cristo redefiniu o Reino, retirando seus aspectos nacionais e políticos e transformando-o em uma realidade puramente espiritual.

A posição literal sustenta que o Reino proclamado por Jesus é o mesmo Reino profetizado no Antigo Testamento, agora revelado em sua fase inicial no Novo Testamento.

“O reino de Deus pertencia ao vocabulário de todo judeu. Era algo que entendiam e pelo qual ansiavam desesperadamente.”
(George Eldon Ladd citado em Bright)

II – O Reino anunciado era conhecido no contexto judaico

O Novo Testamento apresenta o Reino de Deus como um conceito já conhecido pelos ouvintes de Jesus. João Batista, Cristo e os discípulos não precisaram definir o termo, pois ele fazia parte da expectativa escatológica judaica.

A mensagem do Reino foi proclamada como realidade esperada, não como conceito novo ou desconhecido.

“O Novo Testamento inicia a proclamação do Reino em termos que expressam que ele era previamente bem conhecido.”
(C. N. H. Peters)

III – O Messias reconhecido no Seu nascimento

O reconhecimento do Messias ocorre desde o anúncio angelical a Maria (Lucas 1.31-33), passando pelo cântico de Maria (Lucas 1.46-55), pela confirmação profética de Isabel (Lucas 1.41-43), pela expectativa de Simeão (Lucas 2.25-32) e pela profecia de Ana (Lucas 2.38).

Também os magos do Oriente reconhecem o nascimento do Rei dos judeus (Mateus 2.2), confirmando a dimensão régia do Messias.

Mateus apresenta Jesus como o cumprimento das promessas davídicas, iniciando sua genealogia com Abraão e Davi, destacando sua legitimidade messiânica.

Conclusão

Os eventos ligados ao nascimento de Jesus confirmam sua identidade messiânica e sua conexão com as promessas do Reino teocrático revelado no Antigo Testamento.

No próximo artigo, abordaremos o papel do precursor do Messias e o desenvolvimento do Reino anunciado por Cristo.

Fonte: Manual de Escatologia

Autor: John Dwight wPentecost

Editora: Vida

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