O CONCEITO DO REINO NO NOVO TESTAMENTO - PARTE II
INTRODUÇÃO:
Estamos estudando a concepção que se tinha do Reino de Deus a partir do Novo Testamento. Já vimos que, nos dias de Jesus, a esperança do Reino Messiânico era a mesma dos tempos anteriores. O Reino que Jesus ofereceu estava em continuidade com aquele profetizado no Antigo Testamento, sem ser reduzido a uma interpretação meramente espiritualizada, mas considerando também seus aspectos políticos e nacionais dentro de uma perspectiva teocrática.
O reconhecimento do Messias era a chave para a aceitação ou rejeição dessa oferta. Esse reconhecimento começou já em Seu nascimento, quando o anjo anunciou a Maria e revelou a missão de Seu Filho. O cântico de Maria demonstra compreensão dessa promessa, assim como Isabel, Simeão, a profetisa Ana, os pastores de Belém e os magos do Oriente. É necessário aprofundar esse tema, e é o que faremos agora.
I - O PRECURSOR DO MESSIAS:
O Messias não se apresentou de forma isolada. Seu ministério foi precedido por um precursor. Segundo as próprias palavras de Jesus, o ministério de João Batista foi predito por Malaquias (Mt 11.13-14; 17.10-13), como aquele que prepararia o caminho do Rei de Israel.
A mensagem central de João foi: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2).
João Batista não desenvolvia uma definição sistemática do Reino, mas anunciava sua iminência. Seu batismo com água, associado à confissão de pecados, funcionava como sinal de preparação espiritual para a chegada do Messias. Esse rito, administrado por alguém de linhagem sacerdotal, expressava a consciência de culpa e a expectativa da intervenção divina prometida nas Escrituras.
O batismo identificava aqueles que aguardavam sinceramente a manifestação do Reino.
II - O REINO TEOCRÁTICO OFERECIDO POR JESUS:
No ministério público de Jesus, o anúncio do Reino Teocrático continua após o término do ministério de João Batista (Mt 4.12). A partir daí, Jesus inicia Sua proclamação: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4.17).
Ele envia os doze discípulos com a mesma mensagem (Mt 10.7) e, posteriormente, os setenta (Lc 10.9,11), reforçando a iminência do Reino.
A expressão “próximo” indica que o Reino estava prestes a se manifestar, embora ainda dependente de eventos condicionais ligados à aceitação de Israel.
Inicialmente, a mensagem foi direcionada a Israel (Mt 10.5-7; 15.24). Paulo reconhece Cristo como “ministro da circuncisão”, para confirmar as promessas feitas aos pais (Rm 15.8), indicando que a bênção aos gentios estava ligada ao cumprimento da promessa a Israel dentro do plano divino do Reino.
III - A MENSAGEM TEOCRÁTICA CONFIRMADA PELOS SINAIS:
Os sinais e milagres funcionaram como autenticação da oferta do Reino. Quando João Batista questiona se Jesus era de fato o Messias esperado (Mt 11.3), Jesus responde:
“Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.4-5).
Esses sinais demonstravam a realidade do poder do Reino já em operação.
Os milagres estão inseparavelmente ligados ao Reino, pois são manifestações antecipadas do poder que será plenamente revelado em sua consumação. Eles apontam para a restauração total prometida nas Escrituras — incluindo cura, vida, domínio sobre a natureza e vitória sobre o mal.
Assim, os milagres não são apenas atos isolados, mas sinais do Reino vindouro em ação presente.
CONCLUSÃO:
Os milagres de Jesus não apenas confirmam Sua autoridade messiânica, mas também revelam a natureza do Reino Teocrático e suas futuras condições de manifestação plena. Eles são antecipações visíveis do governo divino restaurado.
No próximo artigo, continuaremos abordando a oferta do Reino e suas implicações dentro da teologia do Novo Testamento.
Fonte: Manual de Escatologia
Autor: John Dwight Pentecost
Editora: Vida
O assunto do Milênio é vasto nas Escrituras, e nossa proposta é apresentar uma exposição abrangente desse tema. Neste artigo, iniciamos nossos primeiros estudos e daremos continuidade em outras oportunidades.
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