O REINO NO NOVO TESTAMENTO: A OFERTA DE JESUS A ISRAEL E SUA LEGITIMIDADE

Conceito do Reino no Novo Testamento – Parte III

CONCEITO DO REINO NO NOVO TESTAMENTO – PARTE III

INTRODUÇÃO

No artigo anterior, vimos que o Reino Teocrático foi anunciado por Cristo, mas que antes disso o precursor exerceu seu ministério preparando o coração do povo para a chegada do Messias. O ministério de João Batista constitui uma das evidências de que Jesus é o Messias prometido.

O ministério de Jesus esteve, em sua fase inicial, direcionado a Israel, pois a nação deveria primeiro receber a oferta do Reino para que, posteriormente, a promessa abraâmica se estendesse a todas as nações da terra. A mensagem teocrática foi confirmada pelos milagres realizados pelo Messias, os quais refletiam antecipadamente as condições do Reino quando plenamente estabelecido.

Neste artigo, concentramo-nos na oferta do Reino feita a Israel pelo próprio Rei. Como já vimos, era necessário que essa oferta fosse recebida para que o Reino fosse inaugurado. A reação judaica à mensagem do Reino torna-se, portanto, um fator central na missão de Jesus.


I – A RELAÇÃO DA OFERTA DO REINO COM AS PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO

Um apelo constante às promessas do Antigo Testamento confirma a autenticidade da oferta do Reino. Em diversas ocasiões, Cristo recorre às Escrituras para demonstrar que Suas ações estavam em plena conformidade com o que o Messias deveria realizar.

Isso ocorre, por exemplo, na purificação do templo (João 2.17; Salmos 69), na leitura na sinagoga (Lucas 4.16–19; Isaías 61.1), no testemunho do precursor (Lucas 7.27; Malaquias 3.1), nas discussões sobre Sua identidade messiânica (Lucas 20.41–44) e na ressurreição interpretada à luz das Escrituras (Lucas 24.25–27).


II – A RELAÇÃO ENTRE CRISTO E A OFERTA DO REINO

O próprio Rei anuncia a proximidade do Reino em Sua Pessoa: “O reino de Deus está entre vós” (Lucas 17.21).

Essa declaração não deve ser entendida como uma espiritualização do Reino no sentido subjetivo apenas. O sentido mais coerente é que o Reino estava presente porque o Rei estava presente. Assim, a oferta do Reino estava diante de Israel na Pessoa de Jesus, exigindo arrependimento e reconhecimento messiânico.


III – A INCERTEZA DA OFERTA

A oferta do Reino envolvia uma resposta real da nação de Israel. Embora Deus conhecesse antecipadamente a reação do povo, o estabelecimento do Reino estava condicionado ao arrependimento nacional e à aceitação do Messias.

McClain observa que o estabelecimento imediato do Reino dependia da atitude de Israel. O ministério de João Batista e sua identificação como Elias reforçam essa responsabilidade nacional (Mateus 11.14; Lucas 1.17).


IV – A LEGITIMIDADE DA OFERTA

Um dos pontos de debate é se a oferta do Reino feita por Cristo foi genuína. Negar sua legitimidade implica questionar a sinceridade da missão de Jesus.

Peters afirma que o Reino foi oferecido à nação em boa fé, sendo real e condicionado à resposta de Israel. A rejeição não anula a sinceridade da oferta, mas faz parte do propósito divino que também alcança os gentios (Romanos 11).

A Escritura demonstra essa sinceridade através das lágrimas de Jesus sobre Jerusalém, do envio dos discípulos e dos apelos constantes ao arrependimento.


CONCLUSÃO

A oferta do Reino não contradiz o plano redentor de Deus. A rejeição de Israel faz parte do propósito divino que conduz à expansão da salvação às nações. Assim, a oferta foi legítima, real e consistente com as promessas proféticas.


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Fonte: Manual de Escatologia

Autor: John Dwight Pentecost

Editora: Vida

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