O CONCEITO DO REINO NO NOVO TESTAMENTO - PARTE V
INTRODUÇÃO
No artigo anterior, demos início ao estudo do Reino Teocrático em Mateus. Dois pontos fundamentais foram observados: primeiro, Mateus apresenta Jesus como o Messias prometido nas profecias do Antigo Testamento; segundo, o Reino e o Rei foram rejeitados pelo povo a quem foram oferecidos.
Se antes focamos na Pessoa do Rei e nas provas do Seu direito ao trono, agora trataremos da Sua rejeição, que constitui a segunda divisão do Evangelho de Mateus.
A OPOSIÇÃO AO REI E A SUA REJEIÇÃO
Essa segunda divisão, que vai de Mateus 11.2 a 16.12, descreve a crescente oposição de Israel ao Rei e a Sua rejeição progressiva.
1. O início da rejeição
A rejeição começa a ser delineada com a oposição a João Batista (11.2-15), seguida pelos críticos (11.16-19) e pela resistência dos incautos (11.20-24). Observa-se uma mudança de ênfase no ministério de Jesus em resposta a essa rejeição, embora o Rei ainda estenda convite aos humildes (11.25-30).
2. As controvérsias com as autoridades
Mateus registra várias controvérsias com os líderes religiosos:
- Questões sobre o sábado (12.1-8; 12.9-21)
- Cura do endemoninhado e acusação de poder satânico (12.22-37)
- Pedido de sinais e rejeição da geração incrédula (12.38-42)
- Declaração sobre novos relacionamentos baseados na fé (12.43-50)
A grande questão por trás dessas controvérsias é: "É este, porventura, o Filho de Davi?" (Mt 12.23).
3. As consequências da rejeição
Em Mateus 13.1-52, Jesus apresenta parábolas que revelam o desenvolvimento do plano do Reino após a rejeição de Israel, abrangendo o período entre a rejeição e a futura aceitação na Segunda Vinda.
4. O auge da rejeição
A rejeição se intensifica em diferentes contextos:
- Nazaré (13.53-58)
- Herodes (14.1-36)
- Escribas e fariseus (15.1-20)
- Mesmo diante de sinais e milagres (15.21-39)
- Rejeição final dos fariseus e saduceus (16.1-12)
Nesse ponto, apenas o "sinal de Jonas" é anunciado como evidência futura da morte e ressurreição do Messias.
CONCLUSÃO
Essa seção de Mateus (11.2–16.12) registra uma oposição crescente ao Messias, iniciando com a rejeição do Seu precursor e culminando na rejeição direta do próprio Rei por parte da nação.
O ministério de Jesus revela então o delineamento do plano do Reino diante dessa rejeição, até que se torna evidente a impossibilidade de aceitação nacional naquele momento.
A rejeição definitiva ao Rei será o próximo tema.
FONTE
Manual de Escatologia - John Dwight Pentecost - Editora Vida.