O Conceito do Reino no Novo Testamento - Parte VI
Introdução
No artigo anterior, vimos a legitimidade da oferta do Reino Teocrático na primeira vinda de Cristo e sua relação com a mensagem da cruz. Mesmo que a morte de Cristo viesse antes da manifestação gloriosa do Reino, isso não anulou a oferta feita pelo Rei.
Agora avançamos para o Evangelho de Mateus, que nos ajuda a compreender com mais clareza a oferta do Reino aos judeus e sua rejeição.
A rejeição definitiva do Rei
Dos capítulos 16.13 a 28.20, Mateus apresenta a rejeição final do Messias pela nação de Israel, dividida em sete grandes aspectos.
I - O Messias prepara os discípulos para a rejeição
Entre Mateus 16.13 e 20.34, Jesus revela Sua identidade e anuncia Sua morte. Também apresenta o plano da Igreja (16.17-20) e a transfiguração como antecipação da Sua glória futura (2Pe 1.16-18).
Nesse período, Jesus instrui os discípulos sobre perseguição, humildade, perdão, riqueza, serviço e autoridade messiânica, preparando-os para o cenário de rejeição.
II - A apresentação formal e a rejeição oficial
Em Mateus 21.1–27.66 ocorre a entrada triunfal, a purificação do templo e a aceitação inicial do louvor da multidão. Contudo, a rejeição se intensifica, simbolizada pela maldição da figueira.
III - O conflito final entre Jesus e os judeus
Em Mateus 21.23–22.46, Jesus enfrenta líderes religiosos em debates sobre autoridade, impostos, ressurreição e a Lei. Três parábolas expõem a rejeição da liderança de Israel ao Reino de Deus.
IV - A rejeição da nação
Em Mateus 23, os “ais” pronunciados contra os fariseus culminam no anúncio de juízo e desolação sobre Jerusalém.
V - As profecias futuras do Rei
Em Mateus 24–25, Jesus descreve eventos futuros como a Tribulação, a Segunda Vinda e o julgamento das nações, além de parábolas sobre vigilância e fidelidade.
VI - A paixão do Rei
Em Mateus 26–27, são narrados os eventos da crucificação: traição, julgamento, morte e sepultamento de Jesus, todos cumprindo profecias messiânicas.
Elementos como as zombarias, a divisão das vestes, a escuridão e os milagres na cruz confirmam Sua identidade messiânica.
VII - A ressurreição do Messias
Em Mateus 28, o túmulo vazio e as aparições de Jesus confirmam Sua vitória sobre a morte e autenticam Sua autoridade messiânica.
Conclusão
Mateus apresenta Jesus como o Messias prometido, mostrando Sua legitimidade, rejeição e glorificação. A rejeição de Israel não anulou o plano divino, mas revelou o propósito maior de Deus na redenção.
A ressurreição confirma todas as reivindicações de Cristo e aponta para o cumprimento futuro das promessas do Reino.
No próximo artigo, veremos o adiamento da oferta do Reino e suas implicações no plano profético.
Fonte
Manual de Escatologia – John Dwight Pentecost (Editora Vida)