A DOUTRINA BÍBLICA DO MILÊNIO – PARTE II
INTRODUÇÃO
O Milênio, conforme a interpretação pré-milenarista, está relacionado ao cumprimento histórico de promessas feitas por Deus a Israel, incluindo aquelas referentes à terra, ao reino, à descendência e ao governo do Messias.
Também vimos que, no início desse período, Satanás será preso e impedido de enganar as nações durante os mil anos, conforme Apocalipse 20.1-3.
Dando continuidade ao estudo sobre a Doutrina Bíblica do Milênio, esta segunda parte terá como foco o personagem central desse Reino: o Senhor Jesus Cristo.
Não existe Reino Messiânico sem o Messias. A expectativa profética está relacionada à vinda daquele que receberá o governo prometido e exercerá domínio sobre as nações.
Por isso, compreender a relação de Cristo com o Milênio é fundamental para compreender a própria natureza do Reino.
A RELAÇÃO DE CRISTO COM O MILÊNIO
A presença e o governo de Cristo constituem o centro do Reino Messiânico.
As profecias do Antigo Testamento apresentam a expectativa de um governante da linhagem de Davi, que exercerá justiça, estabelecerá seu governo e receberá domínio sobre as nações.
Isaías declara:
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros.”
Isaías 9.6
E acrescenta:
“Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça.”
Isaías 9.7
A esperança messiânica, portanto, não apresenta apenas um Salvador, mas também um Rei.
I — OS NOMES E TÍTULOS DO MESSIAS RELACIONADOS AO REINO
Os diferentes nomes e títulos atribuídos ao Messias nas Escrituras revelam aspectos de Sua identidade, autoridade e missão.
Entretanto, é necessário observar que nem todo título aparece exclusivamente em textos sobre o Milênio. Alguns pertencem à revelação messiânica de maneira mais ampla e encontram sua aplicação em diferentes momentos da obra de Cristo.
1. O Renovo
O título ou designação Renovo aparece em diferentes profecias messiânicas:
Isaías 11.1; Jeremias 23.5; 33.15; Zacarias 3.8; 6.12.
A imagem está relacionada ao descendente que surgirá da linhagem de Davi e exercerá o governo prometido.
Isaías apresenta:
“Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará.”
Isaías 11.1
O Renovo está, portanto, relacionado à esperança messiânica e ao governo justo que será exercido pelo descendente de Jessé.
2. Senhor
A autoridade do Messias também é apresentada pelo título Senhor.
Zacarias declara:
“E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o Senhor, e um será o seu nome.”
Zacarias 14.9
Esse texto relaciona diretamente o Senhor ao governo universal sobre a terra.
3. Rei
O título Rei expressa de maneira direta a função governamental do Messias.
Referências: Isaías 9.6-7; 33.17,22; Zacarias 14.9,16-17.
O Messias não será apenas aquele que salva, mas aquele que governa.
A profecia de Zacarias relaciona o seu reinado ao reconhecimento de Sua autoridade pelas nações:
“E acontecerá que todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorarem o Rei, o Senhor dos Exércitos.”
Zacarias 14.16
4. Filho de Davi
A relação do Messias com a casa de Davi constitui um dos fundamentos da expectativa do Reino.
Referências: 2 Samuel 7.12-16; Isaías 9.6-7; Jeremias 23.5-6; Lucas 1.32-33.
O Messias é apresentado como aquele que recebe o trono de Davi e cujo governo está relacionado ao cumprimento da promessa davídica.
5. Filho do Homem
Daniel apresenta uma das mais importantes visões messiânicas:
“E eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.”
Daniel 7.13
Nos versículos seguintes, esse personagem recebe domínio, glória e reino:
“E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem.”
Daniel 7.14
A designação Filho do Homem está, portanto, diretamente associada ao recebimento do domínio universal.
Jesus utiliza esse título para Si mesmo repetidamente nos Evangelhos, estabelecendo uma conexão importante entre Sua identidade e a profecia de Daniel.
6. Juiz
O Messias também exercerá a função de juiz.
Referências: Isaías 11.3-4; 33.22; João 5.22; Apocalipse 19.11.
Isaías descreve o governante messiânico:
“Mas julgará com justiça os pobres, e repreenderá com equidade os mansos da terra.”
Isaías 11.4
O exercício do governo messiânico inclui, portanto, o julgamento justo.
II — A MANIFESTAÇÃO DE CRISTO NA IMPLANTAÇÃO DO REINO
A manifestação de Cristo está diretamente relacionada à implantação do Reino.
As profecias apresentam o Messias vindo em poder e glória para exercer Seu governo.
Daniel 7.13-14 apresenta o Filho do Homem recebendo domínio, glória e reino.
Zacarias 14 descreve a intervenção do Senhor e afirma:
“E o Senhor será rei sobre toda a terra.”
Zacarias 14.9
O Novo Testamento relaciona essa expectativa à segunda vinda de Cristo.
Jesus declarou:
“Então verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens, com poder e grande glória.”
Mateus 24.30
E Apocalipse apresenta Cristo como o Rei que vem para exercer juízo e estabelecer Seu domínio:
“E no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.”
Apocalipse 19.16
Assim, a Segunda Vinda não deve ser entendida apenas como um acontecimento de salvação individual, mas também como a manifestação pública do Rei e a intervenção divina que precede o estabelecimento do Reino Messiânico.
III — CRISTO COMO FILHO DE ABRAÃO
A relação de Cristo com Abraão também possui importância para a compreensão do Reino.
A promessa feita a Abraão incluía a bênção às nações e a relação de sua descendência com os propósitos de Deus.
Mateus inicia seu Evangelho apresentando Jesus como:
“Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.”
Mateus 1.1
Cristo está, portanto, relacionado tanto à promessa abraâmica quanto à promessa davídica.
Como Filho de Abraão, Ele está inserido na linhagem por meio da qual Deus desenvolveu Suas promessas; como Filho de Davi, Ele está relacionado ao trono e ao governo messiânico.
Essa dupla identificação ajuda a compreender a unidade das promessas messiânicas apresentadas nas Escrituras.
IV — CRISTO COMO GOVERNANTE DAS NAÇÕES
O governo do Messias não estará limitado a Israel.
As Escrituras apresentam as nações como participantes do domínio do Rei.
O Salmo 2 declara:
“Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão.”
Salmos 2.8
Daniel 7.14 também afirma que o domínio recebido pelo Filho do Homem alcançará:
“todos os povos, nações e línguas”.
Isaías 11.10 apresenta o descendente de Jessé como aquele a quem as nações buscarão.
Zacarias 14.9 declara que o Senhor será Rei sobre toda a terra.
Assim, o Reino Messiânico possui caráter universal quanto ao alcance do governo de Cristo.
V — CRISTO COMO GOVERNANTE JUSTO
O governo do Messias será exercido de acordo com a justiça.
Isaías 11.3-5 descreve o Rei que não julga segundo a aparência, mas julga os pobres com justiça e repreende os ímpios com retidão.
Isaías 32.1 afirma:
“Eis que reinará um rei com justiça, e dominarão os príncipes segundo o juízo.”
Isaías 32.1
O governo de Cristo não será apenas uma mudança de autoridade política. Será a manifestação do governo messiânico segundo os padrões de justiça estabelecidos por Deus.
Essa característica será desenvolvida de maneira mais específica na próxima parte, quando trataremos do caráter espiritual do Milênio.
CONCLUSÃO
A relação de Cristo com o Milênio é central para a compreensão do Reino Messiânico.
As Escrituras apresentam o Messias como:
- o Renovo prometido;
- o Filho de Davi;
- o Filho do Homem;
- o Rei;
- o Senhor;
- e o Juiz que exercerá justiça.
Sua manifestação em poder e glória está relacionada ao estabelecimento de Seu governo sobre a terra.
A promessa feita a Davi encontra no Messias seu centro; a esperança apresentada pelos profetas converge para o Rei que receberá domínio sobre as nações; e o Novo Testamento identifica Jesus Cristo com esse Messias prometido.
Assim, dentro da interpretação pré-milenarista, o Milênio não é apenas um período definido de mil anos, mas o período em que o governo messiânico de Cristo será manifestado historicamente sobre a terra.
Na próxima parte, examinaremos outro aspecto fundamental desse Reino:
O CARÁTER ESPIRITUAL DO MILÊNIO.
FONTE: Manual de Escatologia
AUTOR: J. Dwight Pentecost
EDITORA: Vida