A DURABILIDADE DO MILÊNIO
INTRODUÇÃO
Nos últimos artigos apresentamos as condições existentes no Milênio. Vimos que a vida milenar envolverá trabalho, família, reprodução, atividades econômicas e adoração, porém dentro de uma realidade profundamente transformada pelo governo do Messias.
Também estabelecemos uma distinção importante: o Reino Milenar não corresponde ao Estado Eterno. O Milênio possui duração determinada dentro do programa escatológico de Deus e, ao seu término, ocorrerão acontecimentos que conduzirão à consumação final.
É justamente essa questão que examinaremos neste artigo: quanto tempo durará o Reino Milenar e como sua duração se relaciona com a eternidade do Reino de Cristo?
I – MIL ANOS
O texto de Apocalipse 20 apresenta de maneira repetida a duração do reinado de Cristo: mil anos.
Apocalipse 20.1-6 menciona seis vezes esse período. O texto afirma que Satanás será preso por mil anos, que os santos reinarão com Cristo durante mil anos e que, depois desse período, Satanás será solto por pouco tempo.
“E viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.”
(Apocalipse 20.4)
Dentro da interpretação pré-milenarista, essa repetição é entendida como uma indicação clara de que os mil anos correspondem a um período definido do governo messiânico sobre a terra.
É importante, contudo, reconhecer que a discussão sobre a duração do período também envolve questões hermenêuticas. As diferentes tradições cristãs interpretam Apocalipse 20 de maneiras distintas. O pré-milenarismo entende os mil anos como um período futuro e definido do reinado de Cristo, enquanto outras interpretações entendem a expressão de maneira simbólica ou representativa.
Portanto, o argumento pré-milenarista não depende simplesmente da palavra “mil”, mas da interpretação conjunta de Apocalipse 19–20 e de sua relação com as profecias do Reino Messiânico.
II – O MILÊNIO E O REINO ETERNO
Surge então uma questão importante.
Se o Reino de Cristo é eterno, como pode existir um Reino com duração de apenas mil anos?
Diversos textos afirmam a perpetuidade do governo messiânico:
- 2 Samuel 7.16;
- Salmos 89.3-4,34-37;
- Salmos 45.6;
- Salmos 72.5,17;
- Isaías 9.6-7;
- Daniel 7.13-14,27;
- Lucas 1.32-33;
- Apocalipse 11.15.
Isaías declara:
“Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino.”
(Isaías 9.7)
Lucas apresenta a mesma perspectiva:
“E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.”
(Lucas 1.33)
À primeira vista, poderia parecer existir uma tensão entre um reinado de mil anos e um Reino que não terá fim.
Entretanto, dentro da interpretação pré-milenarista, não existe contradição. O Milênio é entendido como uma fase definida do governo messiânico, enquanto o reinado de Cristo possui uma dimensão permanente e eterna.
Assim, os mil anos não representam o limite absoluto do reinado de Cristo, mas a duração de uma etapa específica de Seu governo sobre a terra.
III – O REINO MEDIADOR E SUA CONSUMAÇÃO
Um dos textos mais importantes para compreender essa questão é 1 Coríntios 15.24-28.
Paulo afirma:
“Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força.”
(1 Coríntios 15.24)
O apóstolo prossegue explicando que Cristo deve reinar até que todos os inimigos sejam colocados debaixo de Seus pés.
“Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.”
(1 Coríntios 15.25)
O último inimigo a ser destruído é a morte.
Esse texto apresenta o governo de Cristo caminhando em direção à sua consumação. A ressurreição, a derrota dos inimigos e a sujeição de todas as coisas fazem parte desse processo.