O REINO ETERNO - INTRODUÇÃO

A PREPARAÇÃO PARA O ESTADO ETERNO

INTRODUÇÃO

Ao estudarmos as profecias relacionadas ao Reino de Deus, chegamos ao período que sucede o Reino Messiânico e conduz à consumação de todas as coisas.

As Escrituras apresentam o Estado Eterno como a condição definitiva do Reino de Deus, estabelecida nos novos céus e na nova terra, quando a morte, o pecado e todas as consequências da rebelião contra Deus terão sido definitivamente eliminados.

Entretanto, antes da manifestação dessa realidade definitiva, alguns acontecimentos importantes ainda ocorrerão ao final do Reino Milenar. As Escrituras apresentam uma sequência que envolve a libertação de Satanás, a rebelião final das nações, o julgamento de Satanás e, posteriormente, o juízo diante do Grande Trono Branco.

Neste artigo iniciaremos o estudo desses acontecimentos que precedem o Estado Eterno, concentrando nossa atenção especialmente na rebelião que ocorrerá ao final do Milênio.

I – A LIBERTAÇÃO DE SATANÁS

Durante o Reino Milenar, Satanás permanecerá preso, conforme a descrição de Apocalipse 20.1-3:

“Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o amarrou por mil anos; e lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos.”
(Apocalipse 20.2-3)

Dentro da interpretação pré-milenista, essa prisão ocorre no início do Reino Milenar e corresponde a uma restrição específica da atividade de Satanás: ele não poderá enganar as nações como fará posteriormente.

Entretanto, essa condição não será permanente.

Apocalipse 20.7 afirma:

“Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão.”

A libertação de Satanás ocorre, portanto, depois de concluído o período dos mil anos.

O texto não apresenta essa soltura como um acidente ou como uma mudança no propósito de Deus. Ela faz parte da sequência dos acontecimentos que conduzirão ao encerramento definitivo da rebelião e ao juízo.

O texto seguinte revela o que acontecerá:

“E sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar.”
(Apocalipse 20.8)

Assim, a libertação de Satanás será seguida por uma nova manifestação de sua atividade de engano.

II – A REBELIÃO FINAL

Apocalipse 20.8-9 descreve uma grande mobilização das nações contra o povo de Deus:

“Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu.”
(Apocalipse 20.9)

Dentro da perspectiva pré-milenista, esse acontecimento ocorre literalmente ao final do período milenar. A rebelião demonstra que a existência de um governo justo e perfeito sobre a terra, por si só, não significa que todos os indivíduos submetidos exteriormente a esse governo tenham experimentado regeneração.

Durante o Milênio, Cristo exercerá Seu governo sobre as nações, e Sua autoridade será manifesta de maneira direta. Entretanto, a narrativa de Apocalipse 20 demonstra que, ao final desse período, haverá pessoas que se deixarão conduzir pelo engano de Satanás.

Essa realidade precisa ser compreendida dentro da distinção entre o governo externo do Messias e a transformação interior produzida pela salvação. A submissão ao governo de Cristo durante o Reino não deve ser automaticamente identificada com a regeneração de cada indivíduo.

Quando Satanás for solto, aqueles que não tiverem sido regenerados poderão ser conduzidos à rebelião contra a autoridade divina.

A Escritura não apresenta essa rebelião como uma ameaça ao governo de Cristo. Ao contrário, sua duração será breve e seu resultado já está determinado:

“Desceu, porém, fogo do céu e os consumiu.”
(Apocalipse 20.9)

A rebelião final, portanto, não representa uma disputa pelo controle do Reino. Ela constitui o último ato de oposição contra o governo de Deus antes da consumação.

III – GOGUE E MAGOGUE

A referência a “Gogue e Magogue” em Apocalipse 20.8 levanta uma questão importante quanto à sua relação com a profecia de Ezequiel 38–39.

Ezequiel apresenta Gogue como líder de uma grande coalizão que se levantará contra o povo de Deus. Apocalipse utiliza os mesmos nomes ao descrever a rebelião que ocorrerá depois dos mil anos.

Entretanto, o emprego dos mesmos nomes não exige que os dois acontecimentos sejam identificados como sendo exatamente o mesmo episódio.

Na interpretação pré-milenista aqui adotada, a profecia de Ezequiel 38–39 e a rebelião descrita em Apocalipse 20.7-9 são acontecimentos distintos, embora apresentem semelhanças importantes. Em ambos os casos, encontramos uma mobilização contra o povo de Deus e uma intervenção decisiva do próprio Deus.

Apocalipse não fornece todos os detalhes geográficos dessa última rebelião. O texto afirma que as nações reunidas por Satanás marcharão sobre “a superfície da terra” e cercarão “o acampamento dos santos e a cidade querida”.

O ponto central da passagem não está na identificação detalhada de cada povo ou na reconstrução geográfica do conflito, mas na demonstração de que Satanás continuará sendo o grande opositor do propósito de Deus até o fim de sua atuação.

IV – O FIM DA REBELIÃO E O JULGAMENTO DE SATANÁS

A rebelião termina imediatamente pela intervenção divina:

“Desceu, porém, fogo do céu e os consumiu.”
(Apocalipse 20.9)

Depois disso, o próprio Satanás recebe sua sentença definitiva:

“O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.”
(Apocalipse 20.10)

Esse versículo estabelece uma diferença importante entre a prisão de Satanás durante o Milênio e seu destino depois da rebelião final.

Durante os mil anos, Satanás permanece preso e impedido de enganar as nações. Depois de sua soltura e da rebelião final, ele será lançado definitivamente no lago de fogo.

Não haverá uma nova libertação ou uma nova etapa de sua atuação. Sua oposição ao governo de Deus chegará definitivamente ao fim.

V – A TRANSIÇÃO PARA O JUÍZO FINAL

Com o fim da rebelião e a condenação definitiva de Satanás, a narrativa de Apocalipse passa imediatamente para outro acontecimento de importância decisiva: o Grande Trono Branco.

João declara:

“Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.”
(Apocalipse 20.11)

A partir desse ponto, Apocalipse 20.12-15 apresenta o julgamento dos mortos diante de Deus.

Esse julgamento será tratado de maneira específica no desenvolvimento desta série. Aqui é suficiente observar que a Bíblia apresenta uma sequência entre o encerramento do Reino Milenar, a rebelião final, o julgamento de Satanás e o juízo diante do Grande Trono Branco.

O próprio texto de Apocalipse 20.14 declara:

“Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.”

Esse acontecimento possui relação direta com a preparação da realidade definitiva que será descrita no capítulo seguinte de Apocalipse.

CONCLUSÃO

O final do Reino Milenar não representa o fim do propósito de Deus, mas a conclusão de uma etapa decisiva de Seu governo na história.

Ao final dos mil anos, Satanás será libertado por breve período e enganará as nações, conduzindo-as à última rebelião contra Deus. Essa rebelião será imediatamente destruída pela intervenção divina, e Satanás será lançado definitivamente no lago de fogo.

Em seguida, Apocalipse apresenta o Grande Trono Branco e o juízo final, conduzindo a narrativa para a consumação definitiva.

Assim, antes da manifestação dos novos céus e da nova terra, as Escrituras apresentam acontecimentos decisivos pelos quais toda oposição ao governo de Deus será definitivamente julgada.

O Estado Eterno será estabelecido somente depois dessa consumação. A criação será então apresentada em sua condição definitiva, sem a presença da morte e de tudo aquilo que pertence à ordem marcada pelo pecado.

No próximo artigo trataremos da purificação da criação, examinando os textos que descrevem a passagem dos céus e da terra atuais e sua relação com os novos céus e a nova terra.


FONTE: Manual de Escatologia

AUTOR: John D. Pentecost

EDITORA: Vida

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