O JULGAMENTO DOS PECADORES
INTRODUÇÃO
Diante do Grande Trono Branco aparecerão todos os mortos, conforme Apocalipse 20.12. Os que participam da primeira ressurreição são apresentados anteriormente, em Apocalipse 20.4-6, enquanto os demais mortos ressuscitam após os mil anos para comparecerem diante do trono e serem julgados.
Esse julgamento resultará na condenação definitiva daqueles que não forem achados inscritos no livro da vida. João declara que a morte e o Hades entregarão os mortos que neles houver, e cada um será julgado segundo as suas obras (Apocalipse 20.12-13). Ao final, a morte e o Hades serão lançados no lago de fogo, que é chamado de segunda morte (Apocalipse 20.14).
Esse acontecimento representa a etapa final do julgamento do pecado e antecede a plena manifestação do Estado Eterno, no qual o propósito de Deus será consumado, conforme a declaração de Paulo: “para que Deus seja tudo em todos” (1 Coríntios 15.28).
Como já tratamos anteriormente do desenvolvimento do propósito divino ao longo do plano de Deus, não há necessidade de repetir aqui aquilo que já foi apresentado nos artigos anteriores. Neste momento, concentraremos nossa atenção no julgamento descrito em Apocalipse 20.11-15.
O JULGAMENTO SEGUNDO AS OBRAS
Kelly apresenta uma síntese importante sobre o significado dos livros mencionados por João:
“Os mortos serão julgados, mas não com base no livro da vida, que não tem nada a ver com o julgamento. ‘E os mortos foram julgados segundo as suas obras, conforme se achava escrito nos livros.’ Então, por que o livro da vida é mencionado? Não porque alguns dos nomes estejam nele escritos, mas para provar que eles não estão. O livro da vida confirmará o que se concluiu dos livros.
“Se os livros proclamam as más obras dos mortos que se apresentam diante do trono, o livro da vida não oferece nenhuma defesa no registro da graça de Deus. As Escrituras não registram nenhum nome entre os julgados. Havia o triste registro dos pecados inegáveis de um lado; e não havia o registro do nome do outro lado.
“Logo, se os livros, ou apenas um livro, forem examinados, tudo conspira para declarar a justiça — a justiça solene, mas muito eficaz — da sentença definitiva e irrevogável de Deus. ‘Se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.’ Então, o único uso que parece ser feito do livro é negativo e exclusivo. Não que alguns dos julgados estejam inscritos ali; é-nos demonstrado, pelo contrário, que eles não se encontram no livro.”
A declaração de Apocalipse 20.12 estabelece claramente que os mortos são julgados “segundo as suas obras”. O texto também menciona o livro da vida, e a sentença final está relacionada àqueles que não são encontrados inscritos nele (Apocalipse 20.15).
O texto, portanto, apresenta dois elementos distintos: os livros, relacionados ao julgamento segundo as obras, e o livro da vida, cuja ausência de inscrição resulta na condenação ao lago de fogo.
A RESSURREIÇÃO PARA O JULGAMENTO
João prossegue mostrando que ninguém poderá permanecer oculto diante desse julgamento:
“Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras.”
(Apocalipse 20.13)
O mar, a morte e o Hades entregam os seus mortos. A linguagem utilizada por João demonstra a universalidade desse julgamento: ninguém permanecerá fora do alcance da sentença divina.
O julgamento diante do Grande Trono Branco, portanto, não é apresentado como uma avaliação limitada a determinado grupo de pessoas, mas como o momento em que os mortos comparecem diante de Deus para receber a sentença correspondente.
A SEGUNDA MORTE
Depois do julgamento, João declara:
“Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Essa é a segunda morte, o lago de fogo.”
(Apocalipse 20.14)
A morte e o Hades são apresentados como realidades que chegam ao seu fim. Eles são lançados no lago de fogo, juntamente com aqueles cujo nome não foi encontrado no livro da vida.
A expressão segunda morte designa a condenação definitiva associada ao lago de fogo. Não se trata simplesmente de uma nova experiência de morte física, mas da condição final de juízo descrita por João no encerramento da presente ordem.
Assim, aquilo que durante a história esteve relacionado à morte e ao domínio do pecado chega ao seu desfecho. A morte, que entrou na experiência humana em consequência do pecado, não terá lugar na consumação apresentada posteriormente em Apocalipse 21.
O JULGAMENTO E O PROPÓSITO DE DEUS
Podemos observar que, antes do estabelecimento do Reino Milenar, existe um propósito divino de separar do Reino aqueles que praticam a iniquidade:
“Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.”
(Mateus 13.41-42)
No entanto, o julgamento descrito em Apocalipse 20 ocorre em outro momento da sequência profética. Ele acontece depois dos mil anos, após a soltura de Satanás e a rebelião final das nações (Apocalipse 20.7-10).
Dentro da perspectiva pré-milenista, podemos distinguir, portanto, o julgamento relacionado ao estabelecimento do Reino Milenar daquele julgamento final apresentado diante do Grande Trono Branco.
No primeiro caso, há a separação dos que praticam a iniquidade no contexto da manifestação do Reino Messiânico. No segundo, ocorre o julgamento final dos mortos e a sentença definitiva daqueles que não foram achados inscritos no livro da vida.
Dessa maneira, o julgamento do Grande Trono Branco manifesta de forma definitiva a soberania e a justiça de Deus. Todo vestígio da presente ordem marcada pelo pecado será finalmente removido, e o propósito divino avançará para sua consumação.
CONCLUSÃO
O julgamento dos pecadores diante do Grande Trono Branco constitui um dos acontecimentos finais apresentados na profecia de Apocalipse.
Depois dos mil anos, os mortos são ressuscitados e comparecem diante de Deus. Os livros são abertos, e os mortos são julgados segundo as suas obras. Também é aberto o livro da vida, e aqueles que não são encontrados nele são lançados no lago de fogo.
A morte e o Hades também são lançados no lago de fogo, encerrando definitivamente seu papel dentro da ordem presente. A segunda morte representa, assim, a realidade final do juízo.
Depois desse julgamento, João contempla os novos céus e a nova terra (Apocalipse 21.1). O Estado Eterno será, portanto, a consumação do propósito de Deus para a criação, sem a presença da morte, do pecado e do juízo que marcaram a antiga ordem.
No próximo artigo, continuaremos tratando desse assunto, quando abordaremos o destino dos ímpios.
FONTE: Manual de Escatologia
AUTOR: J. D. Pentecost
EDITORA: Vida
VEJA TAMBÉM: ESCATOLOGIA/ESTADO ETERNO