O ESTADO ETERNO EM APOCALIPSE 21.9–22.7
A RELAÇÃO DA NOVA JERUSALÉM COM O ESTADO ETERNO
Estamos chegando à conclusão do nosso estudo sobre o Estado Eterno. A Escatologia Bíblica aponta para um futuro glorioso destinado aos salvos: a comunhão plena e inseparável com Deus por meio de Cristo, na eternidade.
A Nova Jerusalém ocupa um lugar central nessa esperança. Já examinamos suas características, seus habitantes e sua possível relação com o Reino Milenar. Nesta etapa, nosso objetivo é analisar sua relação com o Estado Eterno, considerando especialmente a descrição de Apocalipse 21.9–22.7.
Ao tratar da cidade e da condição de seus habitantes, Kelly sustenta que não haverá mudança nessa condição quando o Filho entregar o Reino ao Pai e se iniciar a ordem eterna. Segundo essa perspectiva, a localização da cidade poderá sofrer alterações em função dos acontecimentos escatológicos, mas isso não implicará necessariamente uma mudança na condição de seus habitantes.
Dentro dessa interpretação, a Nova Jerusalém poderia ser retirada durante a renovação dos céus e da Terra, descrita em 2 Pedro 3.10–13, e voltar a ocupar seu lugar na nova criação, conforme a perspectiva relacionada à descida da cidade apresentada em Apocalipse 21.2. É importante observar, contudo, que essa sequência constitui uma interpretação teológica, e não uma descrição explícita de todos esses movimentos nas passagens bíblicas.
A NOVA JERUSALÉM: MILÊNIO OU ESTADO ETERNO?
Nas pesquisas sobre Apocalipse 21.9–22.7, encontramos divergências consideráveis quanto ao período ao qual essa descrição se refere. Alguns intérpretes relacionam a passagem ao Reino Milenar; outros entendem que ela descreve exclusivamente o Estado Eterno. Ambas as posições apresentam argumentos que precisam ser examinados à luz do conjunto das Escrituras.
Nossa análise propõe que a questão não precisa ser abordada apenas por meio de uma alternativa rígida entre essas duas interpretações. Uma possibilidade a ser considerada é distinguir a condição dos habitantes da Nova Jerusalém de sua relação com a Terra durante as diferentes etapas do programa escatológico.
Nessa perspectiva, a passagem pode ser examinada levando-se em conta a condição glorificada e permanente dos santos, sem deixar de investigar a relação da cidade com o Reino Milenar e com a consumação final. Essa proposta, entretanto, precisa ser sustentada pela análise dos detalhes do texto bíblico e pela harmonização cuidadosa das passagens relacionadas.
A CONDIÇÃO ETERNA DOS HABITANTES
Ao observarmos a descrição dos habitantes da cidade, encontramos elementos que apontam para uma condição de comunhão plena com Deus. Apocalipse 21.3 declara que o tabernáculo de Deus estará com os homens, e Apocalipse 22.3–5 descreve seus servos adorando-o e reinando pelos séculos dos séculos.
Essas características destacam a permanência da relação dos redimidos com Deus. Por isso, dentro da interpretação aqui considerada, a condição dos habitantes da Nova Jerusalém deve ser analisada à luz da glória e das bênçãos eternas que a passagem apresenta.
É necessário, porém, distinguir essa condição da questão cronológica. A presença de características eternas na descrição não determina, por si só, em que momento cada aspecto da passagem se cumpre. Essa relação precisa ser demonstrada mediante o exame do contexto e das demais passagens escatológicas.
A RELAÇÃO ENTRE A CIDADE E OS HABITANTES DA TERRA
Outro aspecto importante é a distinção entre os habitantes glorificados da Nova Jerusalém e as nações descritas em sua relação com a cidade. Apocalipse 21.24 afirma que as nações andarão mediante a sua luz, enquanto Apocalipse 22.2 menciona as folhas da árvore da vida para a cura das nações.
Essas declarações levantam questões importantes sobre a relação entre a cidade, os santos glorificados e as nações. Na interpretação que relaciona a passagem ao Reino Milenar, essa distinção pode ser entendida como parte da organização do Reino. Entretanto, a identificação precisa desses grupos e o momento de cumprimento de cada característica devem ser fundamentados na análise bíblica.
Assim, a distinção entre a condição dos habitantes da cidade e a situação das nações constitui um dos pontos relevantes para avaliar a proposta de que a passagem apresenta aspectos que precisam ser considerados tanto em relação ao Milênio quanto ao Estado Eterno.
A PROMESSA DE UM LUGAR PARA OS SEUS
A esperança de habitar com Cristo está relacionada à promessa do Senhor aos seus discípulos em João 14.2–3. À luz dessa promessa e da perspectiva escatológica adotada neste estudo, podemos organizar os principais elementos da seguinte maneira:
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A Igreja e a esperança celestial: na interpretação pré-milenista aqui considerada, os santos da Igreja serão reunidos a Cristo e glorificados. Após os acontecimentos relacionados ao Tribunal de Cristo e às Bodas do Cordeiro, a Nova Jerusalém é entendida como a morada celestial preparada para os redimidos.
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Os santos do Antigo Testamento: dentro dessa mesma perspectiva, os santos do Antigo Testamento também participarão da consumação dos propósitos de Deus, conforme a compreensão adotada acerca da ressurreição dos justos e do estabelecimento do Reino.
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A Nova Jerusalém e seus servos: Apocalipse 22.3 declara que os servos de Deus o servirão. A identificação desses servos especificamente com os santos do Antigo Testamento, contudo, requer fundamentação bíblica adicional, pois o versículo não faz essa distinção de maneira explícita.
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A relação da cidade com o Reino Milenar: uma interpretação possível dentro de determinados modelos pré-milenistas é que a Nova Jerusalém mantenha uma relação especial com a Terra durante o Milênio. A afirmação de que ela ficará especificamente sobre a Palestina, porém, deve ser apresentada como uma conclusão interpretativa, uma vez que Apocalipse 21.9–10 não estabelece expressamente essa localização durante o Milênio.
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A condição glorificada dos santos: a condição eterna dos habitantes da cidade constitui um elemento central desta proposta. Entretanto, a relação entre essa condição e o período milenar deve ser explicada com base no conjunto das passagens escatológicas, e não apenas presumida a partir da descrição da glória da cidade.
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A renovação da criação: ao final do Milênio, as Escrituras apresentam a renovação dos céus e da Terra, conforme 2 Pedro 3.10–13, seguida da visão do novo céu, da nova Terra e da Nova Jerusalém em Apocalipse 21.1–2. A hipótese de que a cidade seja retirada durante esse processo e depois estabelecida na nova criação é uma interpretação que precisa ser demonstrada, pois essa sequência não é explicitamente narrada nos textos citados.
CONCLUSÃO
A relação entre Apocalipse 21.9–22.7, o Reino Milenar e o Estado Eterno exige uma análise cuidadosa. A descrição da Nova Jerusalém apresenta a glória de Deus, a comunhão dos seus servos com Ele e a permanência de suas bênçãos. Ao mesmo tempo, as referências às nações e à relação delas com a cidade levantam questões sobre o contexto escatológico da passagem.
Nossa proposta é que a condição dos habitantes da Nova Jerusalém seja considerada em conjunto com a discussão sobre a posição da cidade no desenvolvimento dos acontecimentos finais. Essa abordagem permite investigar a relação entre o Milênio e o Estado Eterno sem ignorar as dificuldades interpretativas existentes.
No próximo artigo, concluiremos nosso estudo sobre o Estado Eterno examinando a vida na Jerusalém Celestial.
FONTE BIBLIOGRÁFICA
Obra: Manual de Escatologia.
Autor: J. D. Pentecost.
Editora: Vida.