A DOUTRINA BÍBLICA DO ARREBATAMENTO: DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO NAS ESCRITURAS

O Desenvolvimento do Conceito na Bíblia

Introdução

O Arrebatamento da Igreja é uma das doutrinas centrais da escatologia cristã, constituindo a esperança viva do crente. Ele representa o momento em que Cristo virá para levar os Seus fiéis para junto de Si, antes do juízo final sobre o mundo. Embora muitas vezes confundido com a Segunda Vinda em glória, o Arrebatamento é um evento distinto, destacado pela iminência e pela promessa de encontro com Cristo nos ares (1 Tessalonicenses 4.16-17; João 14.1-3).

Conceito Desenvolvido na Revelação Progressiva das Escrituras

A revelação de Deus sobre o Arrebatamento foi progressiva: o Antigo Testamento apresenta prefigurações e promessas do resgate final, enquanto o Novo Testamento revela o cumprimento em Cristo. Desde a promessa de redenção do descendente da mulher em Gênesis 3.15 até as epístolas de Paulo, o conceito de arrebatamento cresce em clareza e detalhe, mostrando que a esperança cristã é baseada na fidelidade de Deus e no plano divino.

Conceito no Antigo Testamento

Embora o termo específico “arrebatamento” não apareça no Antigo Testamento, o conceito de ser levado por Deus em salvação ou livramento está presente:

  • Enoque: “Andou com Deus; e não apareceu mais, porque Deus o tomou” (Gênesis 5.24).
  • Elias: “E aconteceu que subiam eles andando e falando; eis que um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram; e Elias subiu ao céu num redemoinho” (2 Reis 2.11).

Conceito no Novo Testamento

No Novo Testamento, o Arrebatamento é claramente descrito e detalhado:

  • Jesus prometendo voltar: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar” (João 14.1-3).
  • Paulo em 1 Tessalonicenses 4.16-17: descreve o encontro com Cristo nos ares e a transformação dos corpos dos mortos em Cristo.
  • 1 Coríntios 15.51-52: apresenta a ressurreição dos mortos e a transformação instantânea dos vivos, ressaltando a iminência do evento.

A Relação de Jesus com o Arrebatamento

Jesus é o agente central do Arrebatamento: Ele vem para buscar a Igreja, sua noiva, de maneira pessoal e visível. A promessa de que Ele nos levará para estar com Ele (João 14.3) enfatiza a natureza pessoal e imediata do encontro, que ocorre sem aviso prévio, mas de maneira certa e gloriosa.

A Primeira Menção Usada por Paulo em Tessalonicenses

Paulo é o primeiro a apresentar de forma sistemática o evento do Arrebatamento em 1 Tessalonicenses 4.16-17, descrevendo:

  • O som da trombeta do arcanjo
  • A ressurreição dos mortos em Cristo
  • O encontro dos vivos com o Senhor nos ares

O Conceito Usado nas Epístolas

Em várias epístolas, Paulo conecta o Arrebatamento com:

  • A esperança do crente (Colossenses 1.27)
  • Transformação corporal (1 Coríntios 15)
  • Proteção espiritual e vigilância (1 Tessalonicenses 5.4-9)

O Arrebatamento aparece como motivação para santidade, serviço fiel e esperança segura.

A Relação do Arrebatamento em Apocalipse

O livro de Apocalipse reforça a iminência do evento:

  • Cristo aparece como o Noivo que vem buscar a noiva (Apocalipse 19.7-8).
  • Os fiéis são apresentados como vencedores que se mantêm fiéis até o retorno do Senhor (Apocalipse 14.4-5).

O Uso Negativo do Termo nas Escrituras

Embora o termo “harpazō” (ἁρπάζω) seja usado para descrever o arrebatamento da Igreja, ele também aparece em contextos com conotação negativa:

  • 2 Pedro 3.17: “Portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos para que não sejais levados por engano do erro dos ímpios...”
  • Apocalipse 12.4: “E a sua cauda arrastou a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra...”
  • Mateus 13.19: “Quando alguém ouve a palavra do reino e não a entende, vem o maligno e arrebata o que foi semeado em seu coração.”
  • João 10.28‑29: “Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai.”

O Uso Grego do Termo

O verbo harpazō significa literalmente “arrebatado, tomado ou raptado”. É usado tanto de forma positiva (a Igreja sendo levada por Cristo) quanto negativa (o maligno arrebatando). Sua aplicação hermenêutica depende do contexto, mostrando que a ação pode ser salvadora ou destrutiva.

O Uso Hermenêutico do Termo

Interpretar harpazō exige atenção ao contexto histórico, literário e teológico. Nos textos positivos, há promessa de segurança e iminência. Nos textos negativos, indica perda ou engano. Essa análise reforça a distinção entre o Arrebatamento da Igreja e outros usos do termo na Bíblia.

Conclusão

O Arrebatamento é uma doutrina bíblica central, destacando a esperança e a iminência do retorno de Cristo para buscar a Igreja. Sua base está na revelação progressiva das Escrituras, no ensino de Jesus, na sistemática de Paulo e nas promessas do Apocalipse. Ele motiva santidade, vigilância e serviço, e deve ser compreendido à luz do contexto histórico e teológico, distinguindo-se de usos negativos ou figurativos do termo “arrebatamento”.

Fontes

  • Horton, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD.
  • Bíblia Sagrada, Tradução Almeida Revista e Atualizada.
  • Riggs, Ralph. Comentário sobre a Ressurreição e Arrebatamento dos Santos.

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