Introdução ao Mesotribulacionismo
Introdução
O Mesotribulacionismo é uma posição escatológica dentro do pré-milenismo que afirma que o arrebatamento da Igreja ocorrerá no meio da Grande Tribulação, mais especificamente após os primeiros três anos e meio do período tribulacional e antes do derramamento pleno da ira divina.
Essa visão busca conciliar textos bíblicos que falam de livramento da ira de Deus com passagens que indicam sofrimento e perseguição dos santos durante parte da Tribulação.
Diferentemente do pré-tribulacionismo, que defende o arrebatamento antes da Tribulação, e do pós-tribulacionismo, que o coloca ao final desse período, o mesotribulacionismo entende que a Igreja passará pela primeira metade da Tribulação, mas será arrebatada antes da chamada Grande Tribulação, associada à ira direta de Deus.
Pressupostos Históricos
Historicamente, o mesotribulacionismo é uma posição relativamente recente, surgindo principalmente no século XX, no contexto do desenvolvimento do dispensacionalismo clássico e revisado.
Não há evidências claras dessa posição entre os Pais da Igreja. Ela surge como uma tentativa de responder às tensões entre a expectativa do sofrimento dos crentes, a promessa bíblica de livramento da ira divina e a leitura literal das profecias de Daniel e do Apocalipse.
Pressupostos Hermenêuticos
O mesotribulacionismo adota, de modo geral, os seguintes pressupostos hermenêuticos:
- Interpretação literal, gramatical e histórica das profecias bíblicas;
- Distinção entre Israel e Igreja;
- Reconhecimento da progressão da revelação profética;
- Leitura cronológica do livro de Apocalipse, especialmente dos capítulos 6 a 19.
Pressupostos Exegéticos
Do ponto de vista exegético, o mesotribulacionismo enfatiza a divisão da 70ª semana de Daniel em duas metades de três anos e meio, conforme Daniel 9.27.
Essa posição distingue:
- A tribulação causada pelo Anticristo, na primeira metade;
- A ira direta de Deus, manifestada na segunda metade.
Textos como “tempo, tempos e metade de um tempo”, “quarenta e dois meses” e “mil duzentos e sessenta dias” são entendidos como referências equivalentes ao meio da Tribulação.
Pressupostos Teológicos
Teologicamente, o mesotribulacionismo sustenta que a Igreja não está destinada à ira de Deus, conforme 1 Tessalonicenses 1.10 e 5.9.
Ao mesmo tempo, reconhece que a Igreja pode enfrentar perseguições e sofrimentos, sem que isso seja identificado como a ira divina escatológica.
O arrebatamento é compreendido como um ato de livramento da ira futura, e não necessariamente de todo sofrimento terreno.
Pressupostos Escatológicos
No campo escatológico, o mesotribulacionismo afirma que:
- A Grande Tribulação terá duração de sete anos;
- O Anticristo se manifesta desde o início desse período;
- A ruptura da aliança ocorre no meio da semana profética;
- O arrebatamento acontece no meio da Tribulação;
- A Segunda Vinda de Cristo ocorre ao final da Tribulação.
Assim, o arrebatamento e a Segunda Vinda são eventos distintos, embora próximos.
Passagens Bíblicas Fundamentais do Mesotribulacionismo
- Daniel 9.27
- Daniel 7.25
- Mateus 24.15–22
- 1 Tessalonicenses 5.9
- 2 Tessalonicenses 2.1–4
- Apocalipse 7
- Apocalipse 11–13
Defensores do Mesotribulacionismo
Entre os principais defensores ou simpatizantes dessa posição, destacam-se:
- Harold Ockenga
- Gleason Archer (com algumas nuances)
- Robert Gundry (em sua fase inicial)
- Dispensacionalistas moderados do século XX
Conclusão
O mesotribulacionismo procura harmonizar as Escrituras proféticas mantendo a literalidade do texto bíblico e a esperança do arrebatamento como livramento da ira de Deus.
Embora enfrente desafios exegéticos e não seja a posição majoritária, essa visão continua sendo uma alternativa relevante dentro do debate escatológico cristão contemporâneo.
Fontes
- Bíblia Sagrada – Almeida Revista e Atualizada
- ARCHER, Gleason. A Survey of Old Testament Introduction
- WALVOORD, John F. The Rapture Question
- LADD, George Eldon. The Blessed Hope
- RYRIE, Charles. Dispensationalism