A RESSURREIÇÃO NA SEGUNDA VINDA - Parte Final

O PLANO DAS RESSURREIÇÕES NA SEGUNDA VINDA – PARTE II

A Ordem e a Consumação do Plano das Ressurreições

INTRODUÇÃO

No artigo anterior analisamos que as Escrituras apresentam um plano organizado para a ressurreição dos mortos. A Bíblia não apresenta a ressurreição como um único acontecimento sem distinção, mas revela diferentes etapas dentro do propósito divino.

Em 1 Coríntios 15.22-24, o apóstolo Paulo apresenta uma sequência definida:

“Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E então virá o fim...”
(1 Coríntios 15.22-24)

A expressão “cada um por sua própria ordem” demonstra que Deus estabeleceu uma sequência para o cumprimento do plano das ressurreições.

A palavra grega traduzida por “ordem” é tagma, transmitindo a ideia de uma disposição organizada, uma sequência determinada. Paulo apresenta a ressurreição como um plano progressivo, onde cada grupo participa no tempo estabelecido por Deus.

Neste estudo veremos a ordem apresentada pelo apóstolo Paulo e como ela se relaciona com a Segunda Vinda de Cristo.

I – CRISTO, AS PRIMÍCIAS DA RESSURREIÇÃO

A primeira etapa do plano das ressurreições foi cumprida na ressurreição de Jesus Cristo.

“Cristo, as primícias.”
(1 Coríntios 15.23)

A palavra “primícias” era utilizada para representar a primeira parte de uma colheita que garantia a existência de uma colheita futura semelhante.

A ressurreição de Cristo não foi apenas uma vitória pessoal sobre a morte, mas o início do cumprimento do plano divino para todos aqueles que pertencem a Ele.

“Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.”
(1 Coríntios 15.20)

Cristo ocupa o primeiro lugar na ordem das ressurreições. Sua ressurreição estabelece a certeza de que a morte será definitivamente vencida e que os demais acontecimentos ocorrerão segundo o propósito de Deus.

II – OS QUE SÃO DE CRISTO NA SUA VINDA

Depois de apresentar Cristo como as primícias, Paulo acrescenta:

“Depois, os que são de Cristo, na sua vinda.”
(1 Coríntios 15.23)

A palavra “depois” traduz o termo grego epeita, indicando sequência, mas não necessariamente um acontecimento imediato.

Isso demonstra que existe um intervalo entre a ressurreição de Cristo e a ressurreição daqueles que pertencem a Ele.

A expressão “os que são de Cristo” aponta para todos aqueles que possuem relacionamento com Cristo e pertencem a Ele.

Dentro dessa perspectiva, a ressurreição dos santos está relacionada à vitória final de Cristo sobre a morte e ao cumprimento das promessas feitas aos Seus redimidos.

“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos.”
(Apocalipse 20.6)

A primeira ressurreição está relacionada àqueles que recebem a vida e participam do Reino de Cristo.

III – A CONSUMAÇÃO DO PLANO DAS RESSURREIÇÕES

Paulo continua sua explicação dizendo:

“E então virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.”
(1 Coríntios 15.24)

A expressão “então virá o fim” apresenta a conclusão do plano estabelecido por Deus.

A palavra “fim” possui a ideia de término, conclusão ou consumação. Paulo demonstra que existe uma sequência até que todos os propósitos divinos sejam plenamente realizados.

O plano das ressurreições segue uma ordem:

  1. Cristo: as primícias;
  2. Os que são de Cristo: na Sua Vinda;
  3. A consumação final: do plano divino.

Essa ordem demonstra que Deus não realiza Seus propósitos de maneira desorganizada, mas conforme um plano estabelecido.

IV – A RELAÇÃO ENTRE AS DIFERENTES RESSURREIÇÕES

Ao estudar a doutrina da ressurreição, é importante reconhecer que as Escrituras apresentam diferentes aspectos desse ensino.

O objetivo deste estudo foi apresentar o panorama geral do plano das ressurreições relacionado à Segunda Vinda de Cristo.

Entretanto, alguns aspectos específicos serão analisados separadamente em seus respectivos estudos.

A ressurreição dos santos relacionada ao arrebatamento da Igreja será tratada no tema:

A Ressurreição no Arrebatamento da Igreja

Nesse estudo será analisada a promessa de 1 Tessalonicenses 4.16-17 e sua relação com os santos da presente dispensação.

Também a ressurreição para o juízo será estudada separadamente no tema:

A Segunda Ressurreição e o Juízo Final

Ali será analisada a passagem de Apocalipse 20.11-15, quando os mortos comparecem diante do Grande Trono Branco.

Dessa maneira, cada aspecto da doutrina da ressurreição recebe seu devido tratamento dentro do desenvolvimento profético das Escrituras.

CONCLUSÃO

O plano das ressurreições revela a perfeita ordem do propósito de Deus.

A Bíblia apresenta Cristo como as primícias, garantindo a esperança da ressurreição futura. Depois apresenta aqueles que pertencem a Cristo participando da vida que Ele conquistou, e finalmente aponta para a consumação de todos os propósitos divinos.

A esperança cristã não está fundamentada apenas na sobrevivência da alma após a morte, mas na promessa da ressurreição corporal, porque Cristo venceu definitivamente o poder da morte.

Portanto, a doutrina da ressurreição aponta para a vitória final de Cristo e para o cumprimento de todas as promessas estabelecidas por Deus.

FONTES

PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. Editora Vida.

WALVOORD, John F. The Millennial Kingdom.

CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática.

RYRIE, Charles C. Teologia Básica.

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