O JULGAMENTO DAS NAÇÕES NA SEGUNDA VINDA

OS JULGAMENTOS DA SEGUNDA VINDA - PARTE II

O JULGAMENTO DAS NAÇÕES

INTRODUÇÃO:

No artigo anterior iniciamos o estudo dos julgamentos relacionados à Segunda Vinda de Cristo, analisando o julgamento da nação de Israel. É importante lembrar que, quando tratamos da Segunda Vinda, estamos falando do retorno pessoal e visível de Jesus Cristo à terra, após o período da Grande Tribulação, para estabelecer o Seu Reino Milenar.

A Segunda Vinda não deve ser confundida com o Arrebatamento da Igreja. O Arrebatamento ocorrerá antes da Tribulação, quando a Igreja será retirada da terra para encontrar o Senhor nos ares. Já a Segunda Vinda está relacionada ao retorno de Cristo acompanhado dos Seus santos para reinar sobre a terra.

Vimos anteriormente que, nesse momento, haverá também a conclusão de partes do plano das Ressurreições, com a ressurreição dos santos do Antigo Testamento e dos mártires da Grande Tribulação, completando a Primeira Ressurreição.

Após o julgamento de Israel, as Escrituras apresentam outro julgamento relacionado ao retorno de Cristo: o julgamento das nações, descrito principalmente em Mateus 25.31-46.

I - A CRONOLOGIA DO JULGAMENTO DAS NAÇÕES

Existe uma sequência profética dos acontecimentos relacionados à Segunda Vinda. Jesus apresentou essa ordem nos capítulos 24 e 25 do Evangelho de Mateus:

1. O período da Grande Tribulação (Mateus 24.4-26);
2. A Segunda Vinda de Cristo à terra (Mateus 24.27-30);
3. O ajuntamento de Israel (Mateus 24.31);
4. O julgamento de Israel (Mateus 25.1-30);
5. O julgamento das nações (Mateus 25.31-46);
6. O estabelecimento do Reino Milenar.

Portanto, o julgamento das nações ocorrerá depois da volta de Cristo à terra e depois do julgamento de Israel, antes da inauguração do Reino Milenar.

II - O LOCAL E O MOMENTO DO JULGAMENTO

O profeta Joel relaciona o julgamento das nações com a restauração de Israel:

“Congregarei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá; e ali entrarei em juízo contra elas por causa do meu povo e da minha herança, Israel...” (Joel 3.2)

Esse julgamento acontecerá na terra, não no céu. Não há nenhuma indicação de ressurreição dos participantes desse julgamento. O contexto apresenta nações vivas reunidas diante do Rei para serem julgadas.

Peters observa:

“Como não há nenhuma afirmação de que alguma dessas nações ressurgiu dos mortos, igualmente não há indicação de que alguma parte delas tenha descido do céu para ser julgada; a linguagem simplesmente refere-se a nações aqui na terra.”

III - QUEM SÃO AS NAÇÕES JULGADAS?

A palavra utilizada para “nações” em Mateus 25 é o termo grego ethnos, normalmente utilizado para povos ou gentios.

Esse julgamento não trata dos mortos, mas dos gentios vivos que estarão presentes na terra por ocasião da Segunda Vinda de Cristo.

O texto não descreve um julgamento universal de todos os seres humanos, mas um julgamento específico dos povos que sobreviveram ao período da Grande Tribulação.

IV - A BASE DO JULGAMENTO: OS “IRMÃOS” DE CRISTO

Jesus declara:

“Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.” (Mateus 25.40)

A interpretação desse texto está relacionada com aqueles que anunciarão o Evangelho do Reino durante o período tribulacional.

O remanescente fiel, representado especialmente pelos 144 mil selados em Apocalipse 7, proclamará a mensagem de Deus durante a Grande Tribulação. A maneira como as nações tratarem esses mensageiros demonstrará sua resposta ao Evangelho.

V - FÉ E OBRAS NO JULGAMENTO DAS NAÇÕES

Esse julgamento não ensina salvação pelas obras. As Escrituras afirmam claramente que a salvação é pela graça mediante a fé.

As obras serão apenas a manifestação visível da realidade espiritual daqueles que receberam ou rejeitaram a mensagem do Evangelho.

Assim como Tiago ensina que a fé verdadeira é demonstrada pelas obras, nesse julgamento as ações revelarão a condição do coração.

VI - O JULGAMENTO SERÁ INDIVIDUAL OU NACIONAL?

Embora o texto utilize a expressão “nações”, o julgamento deve ser entendido como individual.

As razões são:

1. A salvação exige uma resposta pessoal ao Evangelho.

2. Nenhuma nação é composta exclusivamente por pessoas salvas.

3. Um julgamento nacional baseado em obras introduziria um conceito de salvação contrário às Escrituras.

4. Os demais julgamentos apresentados na Bíblia possuem caráter individual.

Portanto, Mateus 25 apresenta indivíduos pertencentes às nações sendo separados pelo Rei.

VII - O RESULTADO DO JULGAMENTO

Esse julgamento terá dois resultados:

1. Os justos entrarão no Reino

“Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” (Mateus 25.34)

Esses gentios entrarão no Reino Milenar como súditos do Rei.

2. Os incrédulos serão excluídos do Reino

“Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno...” (Mateus 25.41)

Aqueles que rejeitaram o Evangelho serão removidos antes do início do Milênio.

CONCLUSÃO

O julgamento das nações faz parte do plano divino relacionado à Segunda Vinda de Cristo. Antes do estabelecimento do Reino Milenar, haverá uma separação entre aqueles que entrarão no Reino e aqueles que serão excluídos dele.

Esse julgamento demonstra que o retorno de Cristo não será apenas um evento de manifestação da Sua glória, mas também um momento de justiça, onde o Senhor estabelecerá Seu governo sobre a terra.

No próximo artigo concluiremos o estudo dos julgamentos da Segunda Vinda analisando o julgamento dos anjos caídos e o Grande Trono Branco.

FONTE: Manual de Escatologia
AUTOR: J. Dwight Pentecost
EDITORA: Vida

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